Uma releitura contemporânea do mito clássico de Sófocles, com texto de autora britânica Lulu Raczka, direção de Daniela Stirbulov e no elenco, as atrizes Fernanda Gidali e Julia Gaspar ganha montagem inédita no Brasil.
Nessa versão da obra, o foco da montagem é a intimidade das duas jovens irmãs. Antes que a tragédia se consolide, Antígona e Ismênia são mostradas como jovens comuns – entre jogos, desejos e tentativas de viver uma vida ordinária – enquanto o mundo ao redor se deteriora.
À medida que a violência externa se aproxima, o espaço de experimentação se transforma. A guerra, a morte e o peso da herança familiar atravessam suas vidas, impondo escolhas irreversíveis. Nesse contexto, a decisão de Antígona deixa de ser um símbolo distante e se revela como um gesto humano, atravessado por contradições, impulsos e urgência. A peça se desloca, então, do ato em si para suas consequências na vida das irmãs, abrindo espaço para o olhar da Ismênia e sua experiência de viver após a tragédia.
A encenação investiga o momento anterior à tragédia, quando ainda existe dúvida e possibilidade de escolha. Antígona e Ismênia são apresentadas de formas distintas de lidar com o mesmo mundo: enquanto Antígona insiste e enfrenta as consequências de seus impulsos, Ismênia busca sobreviver pela adaptação.

O espetáculo questiona o que constitui um ato de coragem e até que ponto determinadas ações nascem de convicções coletivas ou de necessidades individuais. Sem oferecer respostas definitivas, a peça desloca o debate para a complexidade dessas motivações. Ao mostrar personagens constantemente atravessadas pelo olhar social e pela herança familiar, o espetáculo aproxima o mito clássico da atualidade, marcada por polarizações, julgamentos e exigências constantes de posicionamento.
O foco central da montagem está no jogo entre as duas atrizes e nas transições constantes entre diálogo, narração e ação. Elas constroem e transformam o espaço diante do público, alternando momentos de intimidade, confronto, humor e relato. A encenação aproxima o mito da experiência contemporânea sem situá-lo em um tempo específico.
A guerra aparece como uma presença constante e influencia nos conflitos das personagens, transformando memórias em disputas políticas. Humor, fisicalidade e intimidade são elementos fundamentais no jogo em que as jovens vão sobrevivendo diante dos seus afetos, desejos e humanidade. Um contexto violento que impõe julgamentos e reorganiza relações.
FICHA TÉCNICA:
Texto: Lulu Raczka
Tradução: Fernanda Gidali
Direção: Daniela Stirbulov
Elenco: Fernanda Gidali e Julia Gaspar
Assistente de direção: Enzo Malaquias
Cenografia: Carmem Guerra
Figurino: Paô Souza
Iluminação: Camila Jordão
Trilha sonora original: Nathália Gidali e Vitor Constantino
Assessoria de imprensa: Fabio Camara
Design gráfico e mídias sociais: Enzo Malaquias
Fotografia: Cecília Gidali
Produção e Realização: Fernanda Gidali
SERVIÇO:
Local: Cia. da Revista (Alameda Nothmann 1135 – Campos Elíseos) – 82 lugares
Data: 14/10 até 05/11 (quarta e quinta 20h)
Ingresso: R$ 70,00 (inteira) e R$ 35,00 (meia)
Vendas: https://www.sympla.com
Informações: 11 3751 5200
Duração: 90 min
Classificação indicativa: 14 anos
EQUIPE:
Lulu Raczka (dramaturga)
Lulu Raczka é uma premiada dramaturga que escreve para teatro, cinema e rádio. Suas peças já foram apresentadas em diversos teatros do Reino Unido, entre eles o Almeida Theatre, Unicorn Theatre, New Diorama Theatre, Leeds Playhouse e Royal Exchange Manchester. Em 2019, recebeu o Imison Award por sua peça radiofônica “Of a Lifetime”. Atualmente, desenvolve novos trabalhos para o Royal Court Theatre e o Rose Theatre, em Kingston.
Daniela Stirbulov (diretora)
Mestre em direção teatral pela University of Essex (Londres), graduada em Artes Cênicas pela Universidade de São Paulo e formada pelo Núcleo Experimental de Artes Cênicas do SESI. Faz parte da Young Vic’s Directors Network. Atualmente assina a direção do clássico O Mercador de Veneza, de Shakespeare, com Dan Stulbach. Outros projetos como diretora, assistente de direção e diretora residente incluem Oleanna, Tom Jobim – o Musical, Cabaret – Kit Kat Club, Ney Matogrosso – Homem com H, Sílvio Santos Vem Aí – uma comédia musical, Heathers, etc. É sócia-fundadora do Espaço Co.Lab, onde coordena grupos de estudos. Recebeu prêmios como o ACESC (melhor direção e melhor espetáculo) e o APCA (melhor elenco).
Fernanda Gidali (atriz e produtora)
Atriz paulistana formada pelo Célia Helena Centro de Artes e Educação. Já estudou com Estrela Straus, Tomás Rezende, Eduardo Milewicz, Luciano Sabino e fez cursos no CT Treinamento de Atores e na Academia Internacional de Cinema. Em 2022 fez sua estreia no audiovisual como a protagonista da websérie educativa “Elos”, que recebeu o prêmio de melhor elenco no Rio Webfest. No mesmo ano participou da série “Desejos S.A.”, da Star+. Em 2023 protagonizou o curta “Chá”, dirigido por Shay Esterian e participou do longa “O Monstro”, dirigido por Helena Guerra e que tem estreia prevista para 2027. No teatro, entre as montagens de que participou, destaca-se “Álbum de Família”, dirigida por Jorge Farjalla, em que interpretou a personagem Glorinha. A montagem inaugurou o Teatro Estúdio em São Paulo.
Julia Gaspar (atriz)
Natural de São Paulo e formada em Teatro pela Escola de Atores Wolf Maya. Já trabalhou com grupos estabelecidos como a Cia Vaca Profana, Cia Coexistir e Cia Lazzari. Protagonizou o musical original “Só Se For A Dois” (dir. Allan Oliver, 2019), com repertório de clássicos da MPB; o romance gótico “Numa Hora Assim Tão Escura” (dir. Kleber Montanheiro, 2023) e o drama distópico “2034” (dir. Laerte Mello, 2026), em que foi co-produtora. No cinema, atuou em “Invisível” (dir. Hudson Glauber, 2023) e em “Pacto Maldito”, ao lado de Carol Castro (dir. Caio Cobra, 2026), além de protagonizar curtas premiados como “Aquilo Que Me Assombra” (dir. Catarina Gonçalves, 2024) e “La Petite Mort” (dir. Isabela Vogliotti, 2026).

