A canadense Anne Carson foi laureada com o Nobel de Literatura, segundo o anúncio feito nesta quinta-feira (8) pelo comitê norueguês do Nobel.
Ela levou o prêmio “pela sua obra ousada e inventiva que, num diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea”. O comitê dará à vencedora um prêmio de 12 milhões de coroas suecas (R$ 6 milhões, na cotação atual).
Nascida em 1950 em Toronto, no Canadá, a escritora estreou em 1981 com a tese de doutorado em Clássicos ‘Odi et Amo Ergo Sum’. “Ao longo de toda a sua carreira, combinou a escrita poética com o trabalho de tradução e ensino em universidades”, informou o comitê.
“Quase toda a sua produção literária centrou-se na intersecção entre a obsessão do filólogo pelas palavras e o desejo do poeta por um novo significado. Ela mesma identificou a etimologia das palavras como o ponto de partida para todo o seu trabalho”, acrescentou.
“Eros, o doce-amargo: Um ensaio”

A sua obra mais conhecida no Brasil é “Eros, o doce-amargo: Um ensaio”, publicado pela Bazar do Tempo. O livro é sua primeira obra de crítica literária e foi sua tese de doutorado, e se tornou um clássico, mesclando ensaio, teoria e poesia.
“Safo foi a primeira a chamar Eros de ‘doce-amargo’. Ninguém que já se apaixonou discorda. O que significa essa palavra?”, se pergunta Anne Carson. A resposta é a investigação que a ensaísta e poeta canadense empreende nesta obra, perscrutando o conceito de “eros” a partir da Grécia antiga e evocando referências da poesia, filosofia, literatura, história e psicanálise ao longo dos séculos. Assim, Carson produz um panorama sobre as interpretações do amor, analisando em uma abordagem ao mesmo tempo profunda e espirituosa o caráter duplo e ambíguo do sentimento erótico.
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Outra obra conhecida da autora é Autobiografia do vermelho: Um romance em versos, publicada pela Editora 34.
Autobiografia do vermelho: Um romance em versos

O livro reúne todas as facetas ao recriar, nos nossos tempos, o mito grego de Gerião, um monstro vermelho a quem Héracles teve de exterminar para assim cumprir um de seus doze trabalhos. Sob o signo de Gertrude Stein, Emily Dickinson e do obscuro Estesícoro, primeiro poeta a tratar em formas líricas o mito de Gerião nos séculos VII-VI a.C., Carson compôs este “romance em versos”, transformando Gerião em um menino sensível e absorto que vivencia uma intensa relação amorosa com Héracles ― um bravo experimento formal recriado com arrojo na bela tradução de Ismar Tirelli Neto.
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O vencedor do ano anterior foi o húngaro László Krasznahorkai.

