A escritora gaúcha Lygia Bojunga, de 94 anos, será homenageada como Personalidade Literária da 68ª edição do Prêmio Jabuti. A celebração acontecerá em 27 de outubro, na Sala São Paulo, na capital paulista, justamente no ano em que A bolsa amarela, talvez o livro mais famoso da autora, completa 50 anos de publicação.
Emocionada com a escolha, Lygia enviou à Câmara Brasileira do Livro (CBL) uma carta manuscrita e uma mensagem gravada. “Que belo incentivo este!”, escreveu.
Nascida em Pelotas (RS), em 1932, Lygia estreou na literatura em 1972, com Os colegas, e construiu uma trajetória brilhante, que ajudou a revolucionar a literatura brasileira para crianças e jovens. Sua obra aborda medos, desejos, conflitos familiares e descobertas da infância com sensibilidade e profundidade, sem abrir mão da fantasia e da experimentação literária. Entre seus livros mais conhecidos estão Angélica, A casa da madrinha, Corda bamba, O sofá estampado, Tchau, Fazendo Ana Paz e Seis vezes Lucas.
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A escritora mantém uma longa e premiada relação com o Jabuti. Em 1973, conquistou o reconhecimento com Os colegas. Duas décadas depois, voltou a receber a estatueta por Fazendo Ana Paz, em 1993, e venceu novamente em 1997, com Seis vezes Lucas.
Além do reconhecimento no Brasil, Lygia alcançou enorme prestígio internacional, com obras que atravessaram fronteiras e conquistaram leitores na Europa e em outras partes do mundo. Em 1982, tornou-se a primeira escritora de fora do eixo Europa-Estados Unidos a receber o Prêmio Hans Christian Andersen, concedido pelo International Board on Books for Young People (IBBY). Em 2004, foi agraciada, na Suécia, com o Astrid Lindgren Memorial Award (ALMA), outra das mais importantes distinções mundiais da literatura infantojuvenil.
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“Lygia Bojunga mudou a maneira como a literatura brasileira olha para a infância. Seus livros confiam na inteligência, na imaginação e na sensibilidade de crianças e jovens para lidar com questões complexas. Homenageá-la nos 50 anos de A bolsa amarela é celebrar uma obra que permanece viva e continua conquistando leitores”, afirma Hubert Alquéres, curador do Prêmio Jabuti, em comunicado da CBL.
Em 2002, Lygia criou a Casa Lygia Bojunga, editora dedicada à publicação de seus próprios livros, começando por Retratos de Carolina. Posteriormente, fundou a Fundação Cultural Casa Lygia Bojunga, ampliando sua atuação em iniciativas voltadas à valorização do livro e à formação de novos leitores.
Para Sevani Matos, presidente da CBL, a homenagem celebra a singularidade e a potência criativa da escritora. “Sua liberdade de criação e seu compromisso com a literatura fazem dessa homenagem um reconhecimento à força e à originalidade de sua obra”, afirma, em nota distribuída à imprensa.
A cerimônia do Jabuti 2026 anunciará os vencedores das 23 categorias e do Livro do Ano. A apresentação ficará por conta dos jornalistas Michelle Loreto e Fabrício Battaglini, e o evento será transmitido ao vivo pelo canal da CBL no YouTube.
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