A plataforma MEC Livros, iniciativa do governo federal de incentivo à leitura e democratização do acesso às obras, alcançou a marca de mais de 566 mil usuários cadastrados e cerca de 263 mil obras alugadas. O aplicativo disponibiliza, aproximadamente, oito mil títulos de autores nacionais e internacionais que podem ser alugados por qualquer pessoa que tenha uma conta Gov.br.
De acordo com o Ministério da Educação, o MEC Livros foi organizado a partir de critérios que valorizassem a diversidade literária, cultural e linguística. A biblioteca digital conta com quase 20 editorias e gêneros, que vão de romance e ficção a histórias em quadrinhos e literatura de cordel.
Lideram a lista de mais lidos na plataforma: Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski; A Cabeça do Santo, de Socorro Acioli; Sem Despedidas, de Han Kang; e A Vegetariana, da mesma autora.

Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski, conta a história de Rodion Romanovitch Raskólnikov, um jovem que vive em um pequeno apartamento alugado. Beirando a miséria, o ex-estudante de Direito busca realizar feitos importantes de modo a dar sentido à vida que, para ele, se apresenta como um monótono dia a dia no qual as pessoas, que ele julga se dividirem em pessoas comuns e pessoas extraordinárias, apenas sobrevivem. No decorrer de suas reflexões, Raskólnikov começa a se questionar por que homens como Napoleão, que foram responsáveis por milhares de mortes, são considerados grandes nomes pela História.

Em A Cabeça do Santo, da brasileira Socorro Acioli, um jovem descobre que consegue ouvir as preces dirigidas a Santo Antônio, mergulhando em uma mistura de fé popular, humor, devoção e elementos fantásticos do sertão cearense. A obra nasceu de uma notícia real sobre uma cabeça de santo abandonada e foi desenvolvida durante uma oficina com o Nobel Gabriel García Márquez, o que reforça a influência do realismo mágico.
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A sul-coreana Han Kang, vencedora do Nobel de Literatura de 2024, conta com dois livros na lista de mais lidos.

Em Sem Despedidas, a autora mescla imaginação e realidade, enquanto a narrativa acompanha Kyung-ha, uma escritora que sai de Seul para a ilha de Jeju, onde dezenas de milhares de cidadãos foram aniquilados entre 1948 e 1949, com destino à casa de sua velha amiga Inseon, para auxiliar a amiga hospitalizada com os cuidados de seu pássaro de estimação, deixado às pressas e sem assistência. Ali, Kyung-ha entra em contato com a história há muito enterrada da família de Inseon, entre sonhos e memórias, e um arquivo meticulosamente reunido que documenta o terrível massacre na ilha.

A vegetariana, cuja versão traduzida para o inglês rendeu à autora o Prêmio Internacional Man Booker de 2016, traz a história de Yeonghy, que após um sonho repleto de sangue e escuridão se recusa a comer, cozinhar e servir carne. Esse é o primeiro estágio de um desapego em três atos, um caminho muito particular de transcendência destrutiva que parece infectar todos aqueles que estão próximos da protagonista. O livro conta a história dessa mulher comum que, pela simples decisão de não comer mais carne, transforma uma vida aparentemente sem maiores atrativos em um pesadelo perturbador e transgressivo. Narrado em três vozes, o romance apresenta o distanciamento progressivo da condição humana de uma mulher que decidiu deixar de ser aquilo que marido e família a pressionaram a ser a vida inteira.
Para ter acesso às obras, basta acessar o site ou o aplicativo do MEC Livros e fazer o login com a conta do Gov.br.

