Maria Laura da Silva, conhecida como Laurinha, de 82 anos, incorporou na sua rotina o hábito da leitura. Além de encontrar um alívio para ansiedade, principalmente após a pandemia, os livros se tornaram seus companheiros diários.
Com auxílio do neto, o professor Dioh Neto, de 36 anos, ela passou a ter maior contato com os livros, demonstrando que a leitura pode ser um processo terapêutico: “Esse gosto pela leitura realmente reacendeu após a pandemia, ela estava ficando com a ansiedade muito grande e eu comecei a comprar livros para ela ler e ela foi pegando o gosto […] Lê um livro em dois, três dias. Em outubro de 2025, leu oito livros”, disse Neto em entrevista.
Com isso, a dupla resolveu mostrar suas rotinas literárias e também comentar as leituras no Instagram. Um dos vídeos que alcançou maior visualização foi do livro/filme A Empregada, de Freida McFadden. Em outro, ela indicou o livro A cabeça do santo, da também cearense Socorro Acioli.

Laurinha, que nasceu em Lagoinha, Paraipaba, foi para Paracuru, na região metropolitana de Fortaleza, em 1950, cidade que permanece até hoje. Começou a trabalhar cedo como lavadeira, doméstica e, depois, como costureira, para garantir o sustento da família. Com o tempo escasso, não conseguia se dedicar à leitura, embora sempre tivesse interesse. Mas, hoje, garante que está “craque”. Sem eleger um gênero preferido, lê tudo que estiver disponível: “o que cair na rede”. E, ainda, complementou: “O livro que pegar, eu leio com todo amor e carinho.”
“Quando criança, a gente estudava na cartilha de ABC […] nesta época, o papai ensinava o ABC direto para a gente […] eu ganhei um lápis de presente, foi a maior alegria da minha vida, esse lápis. Meu pai sempre incentivou, ele contava muita história,” contou.
“O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado” – disse Mário Quintana. Essa frase revela bem o sentimento de Laurinha (e também de muitos leitores): “Lendo, eu sinto que não estou só.”

