No dia 12 de outubro foi comemorado o Dia Nacional da Leitura. A data, que coincide com o dia das crianças, foi instituída pela Lei 11.899 durante o segundo mandato do governo Lula (PT) em 2009.
Após relembrarmos essa data, é inegável que há um imenso contraste entre a condução dos dois últimos governantes no tratamento dado à leitura e aos livros, assim como em outras áreas.
Em tom de deboche, o ex-presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), já manifestou desprezo pela ciência, pela arte e pela cultura durante o seu governo. Inclusive, suas diversas declarações demonstraram não só desinteresse, mas também aversão à leitura e aos livros.
Em diferentes ocasiões, afirmou publicamente que não tinha o hábito de ler e evitava jornais. Sua forma de consumir informações era majoritariamente por meio de redes sociais, mensagens e relatórios técnicos. Vale lembrar, ainda, que ele não aderiu ao programa de leitura de livros para remissão de pena da prisão.
Seguindo a mesma forma de descaso, no plano de governo do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL), as palavras “livro”, “biblioteca” ou “leitura” não foram mencionadas nenhuma vez.
Já durante o governo atual de Lula, um grande incentivador dos livros, da arte e da cultura, foi criado o MEC Livros em 2026, além de outras políticas públicas direcionadas à valorização do livro e da leitura, como, por exemplo, o Plano Nacional do Livro e da Leitura (2026-2036).
Nesse mesmo sentido, no governo de Dilma Rouseff (PT), pela Lei 12761 de 2012, foi criado também o vale-cultura para empresas que aderiram ao programa federal. O benefício podia ser usado em livrarias, teatros, cinemas, entre outros.
Reunimos 5 frases da família Bolsonaro sobre os livros e a leitura divulgadas nos mais diversos veículos de comunicação:
Sobre livros didáticos:
“ […] Em 2021, todos os livros serão nossos. Feitos por nós. Os pais vão vibrar. Vai estar lá a bandeira do Brasil na capa, vai ter lá o hino nacional. Os livros hoje em dia, como regra, é um amontoado… Muita coisa escrita, tem que suavizar aquilo.” (Jair Bolsonaro, janeiro de 2020)
Sobre os documentos que assinava:
“Muita coisa que eu assino, eu leio a ementa apenas. Tem decreto com 20 páginas e a gente tem um palmo de papel para assinar ali. Não tem tempo… e não é só ler, você vai ter que interpretar.” (Jair Bolsonaro, abril de 2020)
Sobre os jornais:
“Eu não leio jornais há três anos. Se for ler jornal, duas coisas acontecem: primeiro, você já sai com uma carga negativa de casa enorme, tudo é tua culpa.” (Jair Bolsonaro, fevereiro de 2023)
Sobre o hábito da leitura:
“Livro eu não leio mais, não dá, não tenho tempo. Sou sincero. Eu tenho rede de Zap e informações.” (Jair Bolsonaro, janeiro de 2025)
Leitura na prisão:
Em 27 de novembro de 2025, Jair Renan levou “livros” para o pai preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília (DF), e foi questionado por jornalistas:
Renan: Trouxe alguns livros pra ele.
Jornalista: Quais livros? Quais são os títulos dos livros?
Renan: Trouxe um caça-palavras pra ele.
Anterior a esse fato, em 25 de novembro de 2025, Flávio Bolsonaro levou também para o pai na prisão o livro Metanoia: A Chave Está Em Sua Mente, do pastou e fundador da igreja evangélica Comunidade das Nações J.B. Carvalho. O mesmo autor de A Bomba: A verdade pode ser explosiva, livro que critica à devoção católica, classificando como ilegal e inconstitucional a Lei de 1980 que estabelece Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil.

