Assata Shakur terá sua vida e trajetória publicizada por Angela Davis. A intelectual, que é um dos maiores nomes da atualidade da resistência negra, atuará como produtora executiva do projeto que promete trazer para as telas pelos cineastas Giselle e Stephen Bailey, por meio de roteiros para um documentário e uma série.
O documentário e a série têm autorização de Kakuya Shakur, filha de Assata, bem como o apoio do advogado Lennox Hinds, que defendeu Assta nos tribunais e compartilhou materiais exclusivos. A produção também conta com o suporte de instituições como o Sundance Institute, Firelight Media e Chicken & Egg Films, que concedeu acesso a uma bolsa do Fundo de Equidade Criativa da Netflix.
Um dos pontos mais importantes sobre a produção artística deste documentário sobre a jornada de Assata é que será feita por outras mãos negras, com a sensibilidade necessária para fazer os recortes necessários à valorização da memória desta grande mulher que partiu há pouco tempo.
Assata foi militante do Black Liberation Army – uma organização militante marxista-leninista e nacionalista negra clandestina que atuou nos Estados Unidos de 1970 a 1981- escritora e símbolo de resistência estadunidense. Em 1977, foi condenada pelo governo dos EUA em um julgamento marcado por irregularidades e racismo institucional.
Após o julgamento e começar a cumprir pena, Assata conseguiu escapar da prisão em 1979 e recebeu asilo político em Cuba, onde viveu até o momento de seu falecimento, aos 78 anos em setembro de 2025.
Assim como outras mulheres negras, Assata foi vítima das tentativas de apagamento e silenciamento, entretanto, com a produção deste documentário, terá a chance de ter sua história contada por mãos que compreendem que preservar a memória também é um manter vivo o legado daquelas pessoas que tanto lutaram pela liberdade do povo negro.

