A Livraria Cultura, uma das redes mais tradicionais do mercado editorial brasileiro, encerrou definitivamente suas atividades após a Justiça de São Paulo confirmar sua falência. A decisão partiu da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que notificou a empresa ainda neste mês de fevereiro de 2026. As três últimas unidades físicas, localizadas nos bairros de Pinheiros, Vila Leopoldina e Higienópolis, na capital paulista, já foram fechadas.
O site oficial da livraria saiu do ar, e o telefone de atendimento agora direciona para caixa postal, sinalizando o fim completo das operações físicas e digitais. A dívida declarada pela empresa, informada desde o pedido de recuperação judicial em outubro de 2018, soma mais de R$ 285 milhões (algumas fontes apontam valores ligeiramente superiores, como R$ 288 milhões).

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O processo de crise se arrastou por anos, com tentativas frustradas de reestruturação. A trajetória de dificuldades começou em 2016, quando editoras passaram a registrar atrasos e pagamentos parciais ou não realizados por compras de livros, abalando a confiança no mercado. Em 2018, a rede entrou com pedido de recuperação judicial, mas enfrentou problemas para cumprir o plano aprovado pelos credores.
A pandemia de Covid-19, em 2020, agravou ainda mais a situação, com o fechamento temporário das lojas físicas e queda drástica nas vendas. Em 2023, a Justiça já havia decretado a falência por descumprimento das obrigações, com bloqueio de ativos da empresa e de sua holding. Apesar de recursos e tentativas de reversão, as restrições financeiras e operacionais tornaram inviável a continuidade.
A Livraria Cultura, que chegou a ter mais de 15 lojas em várias capitais e milhares de funcionários, agora vira parte da história do varejo cultural brasileiro após quase oito décadas de existência.

