Pioneiro em intervenções de caráter político no seu país e com várias performances que costumavam questionar as estruturas sociais e culturais, o artista Aníbal López, falecido em 2014, realizou uma surpreendente performance na Cidade da Guatemala em 2003.
Com apoio da Prometeo Associazione per l’Arte Contemporanea, o artista, conhecido por assinar suas obras com o número do documento de identidade, A-153167, contratou um caminhão para que despejasse numa das ruas mais movimentadas da cidade, durante o horário de pico, uma tonelada de livros adquiridos em sebos.
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O resultado dessa intervenção denominada “Una tonelada de libros tirada sobre la Avenida de la Reforma” interrompeu o trânsito, chamou a atenção dos policiais e atraiu o público que circulava pelo local. Pouco a pouco, a rua foi sendo esvaziada conforme as pessoas recolhiam e levavam os livros.

Essa ação inesperada tinha como objetivo criticar a desigualdade de acesso à cultura do país, já que, nessa época, o índice de alfabetismo correspondia a 74% da população, ou seja, cerca de 26% eram analfabetos, (outros relatórios indicavam em torno de 30%) uma das taxas mais altas da América Latina. A iniciativa ressaltava também que, embora os livros fossem colocados à disposição de qualquer pessoa, isso não significava que todos detinham o pleno domínio da leitura e apreensão do conhecimento.
Seu trabalho foi inspirado em Robert Smithson, artista norte-americano que expandiu os limites da arte se apropriando de outros espaços. Ao final dos anos 60, López passou a abandonar o ambiente fechado das galerias para realizar obras ao ar livre.

