Fã ou hater? O que pensar quando mais de 1.621 usuários da Biblioteca da UNICAMP ficam suspensos por motivo de atraso na devolução dos livros emprestados? Os usuários simplesmente não se importam em devolver ou apenas estão apegados demais para devolver as obras para as prateleiras?
Independentemente da resposta para essas perguntas, o fato é que os números são alarmantes e estão provocando um prejuízo acadêmico, afinal, outras pessoas precisam acessar os livros e estes não retornam às estantes.
Além dos 1.621 usuários suspensos, são mais de 10,3 mil obras extraviadas e quase 3 mil livros atrasados para devolução. Alguns casos se destacam mais, como o livro cuja devolução está atrasada há mais de 23 anos e um usuário que está suspenso até 2059.
Apesar dos números alarmantes, estes significam apenas 2% do acervo total da Biblioteca da UNICAMP que conta com mais de 600 mil exemplares em 30 bibliotecas espalhadas pelo campus.

O fato que agrava esta situação é que alguns dos exemplares “não-devolvidos” estão esgotados no mercado editorial e por isso, não há como serem repostos, comprometendo o acesso de novos leitores.
Os livros “não-devolvidos” há mais de 3 anos, ou quando são declarados perdidos, são considerados extraviados. Livros que não foram devolvidos há menos de 3 anos ainda são buscados pelas bibliotecas em tentativas de recuperá-los.
Algumas curiosidades sobre a Biblioteca da UNICAMP e seus empréstimos sem retorno:
- O empréstimo mais longo sem devolução é datado de 17 de dezembro de 2002, de três livros, sendo que 2 títulos eram exemplares únicos em toda a universidade e, até hoje, nunca voltaram para as prateleiras da instituição:
- “Macunaíma: o herói sem nenhum caráter”, de Mário de Andrade;
- “Primeiras estórias”, de Guimarães Rosa;
- “Gramática da Língua Portuguesa”, de Pasquale Cipro Neto e Ulisses Infante;
- O usuário que está suspenso até 2059 pegou emprestado o livro “Concreto: ensino, pesquisas, realizações”, de Geraldo Cechella Isaia e Alexandra Passuelo;
- A UNICAMP aplica duas penalidades para quem não segue as regras das bibliotecas: 3 ou 10 dias de suspensão, variando de acordo com o prejuízo sobre outros usuários.
A instituição ainda informa que o prejuízo à instituição vai além do financeiro e que se estende aos âmbitos acadêmico, científico e patrimonial, conforme é informado na reportagem do G1, atingindo de maneira mais acentuada as áreas das humanidades, que tem uma bibliografia composta por muitos títulos fora de catálogo, com circulação limitada ou edições antigas, muitas vezes insubstituíveis, como a obra “Obras de Luiz de Camões: precedidas de um ensaio biographico, no qual se relatam alguns factos não conhecidos da sua vida; argumentadas com algumas composições inéditas do poeta, pelo visconde de Juromenha”.

