Nos últimos anos, povos e países que tiveram suas obras de arte roubadas pelos colonizadores, estão, tardiamente, recebendo-as de volta em seu território. O Brasil, por exemplo, recebeu de volta um um Manto Tupinambá, datado do século XVII, em 2024, do Museu Nacional da Dinamarca, que está sob guarda do Museu Nacional (UFRJ) e esta foi uma “rematriação” muito importante.

Mas o processo de “rematrização” de artefatos roubados está apenas no começo. Nos últimos dias, pudemos assistir o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), em Salvador, receber a exposição “Inclassificáveis”, diretamente dos Estados Unidos.
Fazem parte da coleção de mais de 600 obras de 135 artistas brasileiros, que foram devolvidos ao Brasil por professoras estadunidenses, constituindo assim a maior “rematriação” de obras de arte da história do Brasil, tanto em importância e também pela quantidade de artefatos.
As obras constituem uma coleção particular feita ao longo de 30 anos pelas professoras de História da arte Bárbara Cervenka e Marion Jackson, enquanto viajavam pelo Nordeste brasileiro.
Conforme informações de O Globo, o acervo é constituído por pinturas, esculturas, xilogravuras, fotografias e outras peças produzidas no período de 1960 e 2000, por artistas negros como:
- J. Cunha;
- Babalu (Sinval Nonato Cunha);
- Goya Lopes;
- Zé Adário;
- Lena da Bahia;
- Raimundo Bida;
- Sol Bahia; e
- Emma Valle

O termo “rematriação” no lugar de “repatriação” é fundamentado a partir da “terminologia criada a partir da poética do professor doutor Ayrson Heráclito já que toda a narrativa desse movimento histórico aconteceu por empenho da força feminina”, segundo Jamile Coelho, diretora artística do Muncab.

