No início do mês de fevereiro, uma grande comemoração aconteceu na Escola Estadual de Ensino Médio Dr. César Cals, situada no bairro Farias Brito, em Fortaleza, no Ceará. Dos 374 alunos do último ano, 192 estudantes foram aprovados até o momento, chegando a 262 aprovações em instituições públicas e privadas em diversos cursos. Esse registro leva em consideração que parte dos alunos passaram em mais de uma universidade.
O atual resultado refere-se à primeira chamada do vestibular da Universidade Estadual do Ceará (Uece), da chamada regular do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e do Programa Universidade para Todos (Prouni), ou seja, o número de aprovados ainda poderá aumentar com as próximas chamadas.
Leia também: Aos 18 anos, estudante é aprovado em 7 universidades públicas
Todos os egressos se reuniram e compartilharam com a comunidade escolar suas conquistas, resultado do esforço de três anos de estudos. Professores, gestores e funcionários do colégio ajudaram os jovens a se pintarem para que fosse registrado esse momento de alegria e reconhecimento.

A unidade de ensino, que é referência no ingresso de estudantes da rede pública estadual no Ensino Superior, mantém o recorde em aprovações desde 2017, totalizando, ao longo dos anos, mais de 2 mil alunos.
“Mais um ano de muito sucesso e de alegria. Enquanto professor, a gente se sente muito orgulhoso dessa juventude da periferia, do filho de trabalhador que consegue ingressar na universidade. Isso nos deixa completamente felizes, de coração cheio de alegria”, afirmou Geh Rubens, coordenador do pré-vestibular da escola.
Um dos ex-alunos, Josian Davi, de 18 anos, aprovado em Ciências Biológicas na Universidade Federal do Ceará (UFC) pelo Sisu, foi incentivado pelos professores de biologia, disciplina que já manifestava interesse. Esse incentivo, inclusive, levou o jovem a criar um grupo de estudo para auxiliar os colegas com dificuldade no conteúdo. “Sou o primeiro da família a entrar na universidade, então eles ficaram muito felizes […] Minha maior motivação é mudar a realidade da minha família, dar orgulho para eles. Acho que o que mais move a gente é nosso sonho de mudar de vida”, disse em entrevista.

Foto: Fabiane de Paula.
Outros como Miguel Arcanjo Alves Freitas, Ana Rafaelly Pereira, Bruna e Sabrina conseguiram algo ainda mais desafiador: ingressar em Medicina logo após o fim do ensino médio. Aos 18 anos, o rapaz se interessou pelo curso após ver sua irmã mais velha estudando para se tornar uma médica. Diagnosticado com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), ele conquistou o primeiro lugar na cota de baixa renda, oriundo de escola pública e pessoa com deficiência.

“A perspectiva é que a escola pública continue sendo uma escola de resistência, lutando contra a desigualdade social para que a gente possa vencer e realizar o sonho dos nossos meninos e meninas”, destacou o coordenador.
Além da atuação conjunta da equipe escolar, conforme relatam vários estudantes, o apoio da família também foi fundamental para a motivação e o desenvolvimento desse percurso.
Confira o Instagram:

