Carolina Maria de Jesus, autora do clássico Quarto de Despejo: diário de uma favelada (1960), foi uma mulher que traçou seus caminhos, literalmente, com as próprias mãos. Foi através da escrita que a conhecemos e continuamos a conhecê-la e será através do samba-enredo da Unidos da Tijuca, que seu nome ecoará nos quatro cantos do país.
A escola de samba Unidos da Tijuca prestará homenagem a uma das maiores poetas e escritoras brasileiras do século XX, considerada um “expoente de uma grande arte e sabedoria contemporânea”, como disse o carnavalesco Edson Pereira.

Carolina, que encantou milhares de leitores espalhados pelo mundo, encontrou nos corações dos membros da escola um lugar especial, visto que há identificação imediata dessas pessoas, que se reconhecem em seus escritos.
Escritora, poeta e compositora, Carolina Maria de Jesus escreveu em seus diários a sua própria história, bem como a história das pessoas com quem conviveu, desde a infância até os dias vividos em sua casa de alvenaria, em Parelheiros-SP.
Durante muito tempo, Carolina foi colocada como uma catadora de resíduos, entretanto, ela mesma se dizia poeta. Respeitando toda a trajetória de Carolina, a escola Unidos da Tijuca está fazendo esta bela homenagem, ressaltando a sua grandiosidade, que durante muito tempo esteve silenciada nos escombros da história.
Como tudo que aconteceu na vida de Carolina, ser tema de samba-enredo é mais uma dessas maravilhas que só poderiam acontecer com ela, que também era compositora e lançou em 1961 o LP Quarto de Despejo: Carolina Maria de Jesus cantando suas composições.

O disco lançado por Carolina é uma coleção de 12 sambas:
01 – Rá-ré ri ró rua
02 – Vedete da favela
03 – Pinguço
04 – Acende o fogo
05 – O pobre e o rico
06 – Simplício
07 – O malandro
08 – Moamba
09 – As granfinas
10 – Macumba
11 – Quem assim me ver cantando
12 – A Maria veio
E enquanto o Carnaval não chega, você pode ouvir o disco na íntegra: https://radiobatuta.ims.com.br/playlists/carolina-maria-de-jesus-canta
Carolina Maria de Jesus cantou, escreveu e recitou suas poesias, compartilhando de maneira única seu modo de ver o mundo. Agora teremos a alegria de ouvir sua história sendo contada ao longo da avenida, ecoando seu nome através do tempo.

