O curso de Introdução à filosofia, ministrado pelo professor Martin Peterson na Universidade do Texas (EUA), teve sua bibliografia censurada. A chefa do departamento, Kristi Sweet, aconselhou Peterson a retirar a obra O Banquete, de Platão, ou retirar trechos sobre questões de raça e gênero.

Pilar do pensamento ocidental, O Banquete, foi mais um livro a sofrer as novas ordens curriculares que dizem que nenhum curso deve “promover ideologia racial ou de gênero, ou tópicos relacionados à orientação sexual ou identidade de gênero”.
O Banquete não é um tratado teorético, mas, como sugere sua cena final, na qual apenas Sócrates, Ágaton e Aristófanes restam acordados, uma mistura entre tragédia, comédia e filosofia, isto é, um texto no qual seus aspectos filosóficos e literários se encontram indissoluvelmente ligados e que evoca, por essa mesma estrutura, o ambiente cultural de Atenas em sua era de ouro.”
― Bernardo Lins Brandão
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Os excertos de O Banquete que teriam causado desconforto à direção da universidade incluem, de um lado, o mito narrado por Aristófanes, origem da expressão “cara-metade”, no qual se afirma que a humanidade primitiva se dividia em três gêneros: masculino, feminino e andrógino.
De outro, o momento em que a sacerdotisa Diotima expõe as etapas do amor, conduzindo-o progressivamente à transcendência.

Em resposta a sua chefa de departamento, o professor Peterson declara que a “decisão de proibir um professor de filosofia de ensinar Platão é sem precedentes. Vocês estão tornando a Texas A&M famosa, mas não pelos motivos certos”.

