Mais de duas décadas depois de sua última montagem, o Grupo Cemitério de Automóveis revive o espetáculo Os Anjos Vão Para o Céu, escrito e dirigido por Mário Bortolotto. Apresentada pela última vez em 2002, a peça mergulha em um universo noir, com personagens marcantes e uma narrativa que explora o deslocamento e o anonimato, a trama acompanha a busca de um pai por seu filho desaparecido, revelando um mundo habitado por figuras à margem da sociedade. Uma oportunidade única para revisitar um clássico da dramaturgia brasileira, agora com novo elenco e toda a potência cênica do grupo.
Com declarada inspiração no livro “Cenários em Ruínas” de Nelson Brissac Peixoto e nos livros noir de Raymond Chandler, Dashiel Hammet e David Goodis, o dramaturgo Mário Bortolotto escreveu em 1988 a peça de teatro “Os Anjos Vão Para o Céu” que trata da figura do deslocado, do “sem identidade”, do forasteiro, daquele que ninguém sabe de onde veio e nem para onde vai. Na trama, Arthur é um jovem que foi lutar na guerra (como a peça é atemporal, não é necessário precisar de que guerra se trata), a guerra acabou e não voltou para casa. Seu pai, Péricles, um escritor aposentado, após anos esperando a volta do filho, resolve contratar um detetive para encontrá-lo. O que acontece é que o procurado não deseja ser encontrado. O que ele deseja é sumir, definitivamente e sem deixar rastros de sua existência. Enquanto Charles procura pelo filho do velho escritor, ele vai se deparando com outras figuras que habitam esse mundo de pessoas deslocadas como a junkie Fernanda, a prostituta Angela ou o jovem sonhador Zique. O dramaturgo acaba por prestar uma homenagem aos escritores que leu com voracidade na juventude enquanto fala de personagens que lhe são tão caros e que já habitaram outros textos de sua dramaturgia.

Os Anjos Vão Para o Céu, faz parte do volume IV de “Doze Peças de Mário Bortolotto” que condensa a essência da dramaturgia do autor, apresentando um panorama de sua obra que mergulha fundo na solidão, na marginalidade e nas feridas abertas da alma humana. As peças reunidas nesse livro, à semelhança de seu trabalho geral com o Grupo Cemitério de Automóveis, transitam por ambientes urbanos decadentes – bares sujos, apartamentos em ruínas, esquinas perigosas – onde personagens desiludidos e à deriva buscam, de alguma forma, dar sentido à própria existência. Bortolotto constrói diálogos incisivos e diretos, que revelam a brutalidade e a poesia do cotidiano de seus tipos, muitas vezes anti-heróis que habitam as franjas da sociedade. A obra é um retrato visceral de uma humanidade que insiste em sobreviver, mesmo diante de suas próprias mazelas e da indiferença do mundo, solidificando o estilo inconfundível do dramaturgo, que equilibra o humor cínico com a melancolia profunda.

Sobre Mário Bortolotto:
Mário Bortolotto (Londrina-PR, 1962) é dramaturgo, diretor e ator, fundador do Grupo Cemitério de Automóveis (1982), companhia que marcou o teatro brasileiro com sua estética crua e mergulho nos subterrâneos urbanos. Sua obra, traduzida em peças como Nossa Vida Não Vale um Chevrolet (Prêmio Shell e APCA em 2000, adaptada para o cinema) e Os Anjos Vão Para o Céu, explora com diálogos afiados a solidão, a violência e os dramas de personagens à margem — de prostitutas a sonhadores fracassados.
Além do teatro, escreveu sobre cultura em veículos como Folha de S.Paulo, Estado de S.Paulo e revistas Trip e VIP, cobrindo cinema, música, quadrinhos e futebol com a mesma verve ácida de suas peças.

Sobre Grupo Cemitério de Automóveis:
O Grupo Cemitério de Automóveis, fundado por Mário Bortolotto, é uma das companhias mais emblemáticas e influentes do teatro brasileiro contemporâneo, conhecido por uma estética crua, visceral e um mergulho profundo nas subculturas urbanas e nos dramas de personagens marginalizados. Desde sua criação nos anos 1990, o grupo se consolidou com textos que exploram temas como a solidão, a violência, a desilusão e a busca por sentido em um mundo caótico, muitas vezes ambientados em bares, becos e apartamentos decadentes. As encenações de Bortolotto, que frequentemente dirige e atua em suas próprias peças, são marcadas por um realismo poético, diálogos afiados e uma atmosfera de melancolia e desespero, refletindo a visão particular do autor sobre a condição humana e a sociedade contemporânea.
FICHA TÉCNICA:
Texto e Direção: Mário Bortolotto
Iluminação e Trilha Sonora: Mário Bortolotto
Elenco: Ana Barbara, Carcarah, Daniel Sato, Debora Sttér, Eldo Mendes, Fernanda Gonçalves, Gabriel Batista, Johnnas Oliva, Madu Possatto, Marcos Amaral, Nelson Peres, Rebecca Leão, Thamires Meraki, Walter Figueiredo.
Operação Técnica: Davi Puga e Isabela Bortolotto
Programação Visual: Rebecca Leão
Ilustração: Carcarah
SERVIÇOS:
Teatro Cemitério de Automóveis
Rua Francisca Miquelina, 155 – Bela Vista, São Paulo/SP
Temporada: 25 de julho a 17 de agosto de 2025
Horários: Sextas e sábados às 21h; domingos às 20h
Ingressos: R$ 40 (inteira) / R$ 20 (meia)
Duração: 60 minutos
Classificação Indicativa: 14 anos
Capacidade: 50 lugares
Ingressos: Antecipado no Sympla: Sympla Cemitério de Automóveis
& na bilheteria do teatro, aberta sempre 1h antes do espetáculo
Acessibilidade: O espaço possui acessibilidade para cadeirantes

