O que acontece quando uma deusa astronauta, que vive em uma dimensão azul e rosa entre estrelas e cometas, recebe a missão de um cavaleiro negro (São Jorge) para descer à Terra e experimentar a existência humana? Essa é a premissa surrealista e poética de Magnólia
Mais do que uma homenagem, a peça é uma reimaginação radical da obra de Jorge Ben Jor a partir de uma perspectiva feminina e negra.
DO COSMOS À EXPERIÊNCIA HUMANA: UMA FÁBULA DE (RE)EXISTÊNCIA

Na trama, após o encontro com São Jorge, a protagonista cai na Terra e passa por transformações até tornar-se uma mulher negra. É nesse corpo que ela experimenta a vida em sua plenitude, com todos os prazeres e desafios. A narrativa faz uma alegoria da diáspora africana, mas a reconta de forma mítica e futurista, onde o sonho de uma mulher negra é o ponto de partida de tudo.
“Ser uma mulher negra trazendo essa fábula para os palcos, nessa imaginação radical do que pode ser a história dessa canção, é uma alegria muito grande. É um exercício de liberdade, de expressão, de autonomia enquanto artista”, celebra Marina Esteves.
O espetáculo se constrói na integração de linguagens como dança, spoken word (poesia falada), música e performance, criando uma experiência cênica popular e plural. Tudo isso embalado por uma banda ao vivo orquestrada por Dani Nega e pela própria Marina Esteves, com colaboração especial de Kiko Dinucci em um dos arranjos.
A POÉTICA DE JORGE BEN JOR GANHA CORPO E GINGA

Assim como Jorge Ben constrói sua música com swing e ginga, a dramaturgia de Magnólia busca traduzir essa mesma rítmica para o corpo da atuante e para a cena. A pesquisa para a criação do texto mergulhou fundo na obra do compositor, explorando desde a filosofia hermética e a alquimia presente em “A Tábua de Esmeralda” até os amores platônicos, o futebol e a brincadeira com as palavras (“por causa de voxê”).
“A gente quis trazer à tona os macrotemas que existem na obra de Jorge Ben, que perpassam pela religiosidade, pelo esotérico, pela magia negra, pela idade média. E também a própria questão da linguagem dele, de brincar com o patropi”, explica Marina.
A ALEGRIA COMO REVIDE

Em um dos pilares da montagem, a alegria e a autoestima negra, tão presentes nas canções de Jorge Ben Jor, são reivindicadas como ferramentas políticas de resistência.
“Em 1974 ele já estava cantando que ‘negro é lindo’ em plena ditadura militar. A gente quer reivindicar o lugar da alegria enquanto revide ao racismo e às violências de gênero. A trama é de uma mulher negra descobrindo a si mesma pela perspectiva política da alegria. Vamos sobreviver e ser felizes, essa é a nossa maior vingança. Vingar através da alegria que nos mantém de pé”, finaliza a diretora.
SINOPSE
Livremente inspirado na música homônima de Jorge Ben Jor, Magnólia, narra a fábula sobre uma deusa astronauta que vive na dimensão azul e rosa por entre estrelas e cometas até encontrar um cavaleiro negro, São Jorge. Ele propõe a ela uma missão: descer para a Terra e experimentar o que é ser humana. Na Terra, depois da queda, ela passa por diversas transformações até se tornar uma mulher negra. Neste corpo, ela experimenta o que é essa vivência, com todos os prazeres da sua existência.
SERVIÇO:
Temporada: 12 de março a 05 de abril de 2026
Horário: Quinta-feira a domingo, às 20h30
As sessões de sábado contam com interpretação em Libras
Ingressos: R$ 10 (associado do Sesc), R$ 15 (meia-entrada), R$ 30 (inteira)
Link para ingressos: https://www.ingresso.com/evento/magnolia
Local: Sesc Copacabana – Espaço Mezanino
Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160 – Copacabana
Classificação Indicativa: 14 anos
Duração: 90 minutos
FICHA TÉCNICA:
Concepção, Idealização, Direção Geral e Atuação: Marina Esteves
Dramaturgia: Lucas Moura e Marina Esteves
Texto: Lucas Moura
Dramaturgismo: Marina Esteves
Pesquisa musical para dramaturgia: Marina Esteves e Lucas Moura
Assistência de Direção: Lucas Moura
Concepção Musical: Dani Nega e Marina Esteves
Direção Musical: Dani Nega e Marina Esteves
Dramaturgia Sonora: Dani Nega, Lucas Moura e Marina Esteves
Produção de Beats, Produção Musical e Trilha Original: Dani Nega
Colaboração de arranjos ao longo de todo o espetáculo: DJ K-Mina (pick-ups e voz) Gisah Silva (percussão e bateria), Larissa Oliveira (Trompete e voz), Melvin Santhana (guitarra, violão e voz)
Desenho de luz: Matheus Brant
Operação de luz: Letícia Nanni e Matheus Brant
Desenho de som: André Papi
Operação de som: André Papi e Nicolas Guaraná
Figurino: Ayomi Domenica
Cenografia: Léo Akio
Videografia: Gabriela Miranda e Matheus Brant
Operação de vídeo: Gabriela Miranda e Letícia Nanni
Preparação Corporal e Orientação de Gestos: Ricardo Januario
Preparação vocal: Rebeca Jamir
Musicistas: DJ K-Mina (pick-ups e voz) Gisah Silva (percussão e bateria), Larissa Oliveira (Trompete e voz), Melvin Santhana (guitarra, violão e voz)
Costureiras: Claudineia da Silva Barros, Jonhy Karlo e Selma Paiva
Aderecista: Edivaldo Zanotti
Modelista: Talita Borges
Assistente de Design: Regina Torres
Design de Jóia da Cabeça: Opvs Magnum
Voz off Hermes: Carlota Joaquina
Técnico de Gravação – vozes em off: Fernando Sampaio
Arranjo da música “Zumbi”: Kiko Dinucci e Melvin Santhana
Consultoria: Roberta Estrela D’Alva
Consultoria em estudos teóricos: Deivison Faustino
Pesquisa biográfica Jorge Ben Jor: Marina Esteves
Orientação litúrgica: Iyalorisà Vivianne de Osumaré
Fotografia de divulgação: José de Holanda
Fotografia de cena: Noélia Najera
Designer Gráfico: Murilo Thaveira
Serralheria e solda: Fábio Lima
Assessoria de imprensa: Marrom Glacê Comunicação
Produção local: Jean Martins
Produção geral: Corpo Rastreado – Leo Devitto

