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Quando a doença criou monstros: a tuberculose na formação do vampiro (e na xenofobia contra ele)

por Clarissa Desterro 17 de fevereiro de 2026
por Clarissa Desterro 17 de fevereiro de 2026 0 comentário

Desde tempos imemoriais, a humanidade tem buscado explicações para fenômenos inexplicáveis e formas de enfrentar seus maiores medos. Em poucas épocas e contextos essa busca foi mais fascinante – e perturbadora – do que durante os séculos XVIII e XIX, quando lendas sobre vampiros ganharam força em meio a surtos de doenças contagiosas, com a tuberculose tomando a posição de protagonista nessa ocasião. A figura do vampiro, um ser que consome a vida de suas vítimas, tornou-se a personificação dos medos de uma sociedade devastada por epidemias e sem o conhecimento médico necessário para explicá-las.

When New Englanders Blamed Vampires for Tuberculosis Deaths | HISTORY

Para muitas comunidades rurais, onde o conhecimento científico era escasso, essas doenças eram atribuídas a forças sobrenaturais. Assim, cadáveres eram exumados, corações eram queimados e cinzas eram ingeridas na tentativa de impedir a disseminação do mal. No centro dessa crença, estava o vampiro: um mito que não apenas refletia os temores de uma época, mas que foi influenciado por eles, e pela tuberculose em particular, de tal forma que até hoje está intrinsecamente conectado a eles, tendo sido moldado estética e tematicamente pela doença no imaginário cultural de gerações futuras. Este texto explora como os surtos de doenças mortais e a tuberculose em particular alimentaram o pânico vampiresco e transformaram esses seres míticos para sempre.

Horror, ciência e política: os medos que criaram vampiros

A história de terror é, por natureza, intrinsecamente ligada aos medos e ansiedades da sociedade para o qual foi escrita; o apelo popular do conto de terror é historicamente fundamentado na maneira como essa literatura (e, mais para frente, outros tipos de mídia) aproveita-se de temas que dominam o imaginário das massas para validar seus medos e transformá-los em histórias altamente palatáveis ou, ao menos, viciantes. Todo terror se apoia, em maior ou menor medida, nos medos coletivos de determinada sociedade em determinado período, apoiando-se em um conjunto cheio de intercessões entre diversas condições políticas e sociais, e exatamente por isso é tão mutável e se altera tanto com o passar do tempo. O terror em torno da mulher-monstro, por exemplo, é quase que universalmente construído sobre ansiedades ao redor da sexualidade feminina, enquanto livros como Frankenstein foram construídos em cima das ansiedades de uma sociedade no meio da Primeira Revolução Industrial, enfrentando um acelerado avanço científico e tecnológico em escala jamais vista até então.

Vampire literature - Wikipedia

A literatura de vampiro não apenas não é uma exceção, como é um dos mais óbvios exemplos dessa realidade: ela está profundamente ligada a medos coloniais relacionados ao estrangeiro, ao oriental, ao potencial invasor, e também a sexualidade feminina, a relacionamentos inter-raciais, e a corrupção cultural. Todos esses temas valem seus próprios ensaios, e já foram destrinchados à exaustão em artigos acadêmicos. O tema desse texto, porém, é outro. Afinal, considerando esse aspecto da literatura de horror e terror, é apenas natural que, em algum momento, o horror do século XVIII e XIX se voltasse para uma das suas mais pungentes e aterradoras preocupações: doenças altamente mortíferas e contagiosas que sua medicina ainda não compreendia, com a tuberculose, tema mais querido do romantismo e um dos principais males da era vitoriana, sendo a protagonista desse cenário. E disso, também, as histórias de vampiro se alimentaram.

O vampiro é, por excelência, o medo da morte e dos mortos, e também da decadência, da podridão e da corrupção do corpo; ele representa um estado de ser amaldiçoado e contagioso. De acordo com Wayne Bartlett e Flavia Idriceanu, “Nossos medos podem fazer com que histórias fantásticas pareçam realidades. A humanidade com frequência acreditou que dividimos nosso mundo com bons ou maus espíritos, seres fabulosos e criaturas estranhas, às vezes auxiliadoras, às vezes ameaçadoras e vingativas. Por séculos, acreditou-se que dor e doenças eram causadas por espíritos malignos, que poderiam ser invocados por uma bruxa ou bruxo (crenças que ainda existem em algumas partes do mundo). O medo da morte e das almas dos que partiram estarem “presas” na terra esteve na origem dos rituais fúnebres. Quando eles não eram respeitados e algo dava errado, os mortos não encontravam paz e voltavam para punir os vivos.”

New England's Vampire History | Legends and Hysteria - New England

Na cultura medieval – de onde vem boa parte dos mitos de vampiros – a ideia de mortos levantando-se de seus túmulos era bastante comum e mesmo popular, com histórias e gravuras representando cadáveres fazendo várias coisas mundanas. Mais importante, porém, é que esses corpos reanimados eram com frequência associados ao maligno: William de Malmesbury escreveu que o diabo era capaz de reanimar os corpos de homens maus e forçar esses mortos levantados a agir conforme o que ele desejava, enquanto William de Newburgh escreveu, no século XI, sobre um homem maligno que viveu uma vida depravada e perversa – no medievo, a transformação de um morto em um vampiro era frequentemente associada com a ideia de uma vida de pecados – e voltou dos mortos como um espírito maligno e vingativo que ele chamou de “vampiro do Castelo de Alnwick”. Esse vampiro era visto andando pela noite e espalhando “ar pestilento” no vilarejo onde vivia. Para resolver o problema e salvar os habitantes da vila, o padre local exumou o corpo do homem e o queimou.

Leia também: ‘O Vampiro Antes de Drácula’: de Polidori a Stoker, conheça as origens do horror vampírico

As lendas medievais de vampiros eram majoritariamente difundidas entre as classes mais baixas, sobretudo entre camponeses, e eram espalhadas e altamente conhecidas em vários lugares. Muitas igrejas aceitavam a ideia de vampirismo, utilizando-a como uma ferramenta útil para assustar as pessoas e afastá-las do pecado, e a associação entre vampiros e bruxas – e entre ambos e o diabo – era bastante comum, com o infame Malleus Maleficarum tendo sido utilizado também como fonte a respeito do combate a vampiros.

Tuberculose, o grande marco do romantismo:

Embora hoje seja sabido que a tuberculose é uma doença bacteriana, sua causa era desconhecida até o fim do século XIX – e, por consequência, as formas de infecção, prevenção e tratamento também o eram. O cenário comum, dessa maneira, era que uma pessoa contraísse a doença e passasse a ter sua saúde “consumida” por ela (daí o nome “consumption” ter sido a denominação popular da doença em inglês durante os anos 1700s e 1800s), e seus familiares e parentes próximos, que, não sabendo do imenso potencial de contágio da tuberculose, não tomavam qualquer precaução para evitar o próprio adoecimento, passassem a apresentar sintomas similares pouco depois, frequentemente resultando em múltiplas mortes em uma mesma casa ou família, e comumente dezenas ou centenas de falecimentos em uma única comunidade.

Poucas doenças na história tiveram tanto impacto psicológico, cultural, estético e artístico quanto a tuberculose. A doença está no cerne do romantismo, foi responsável pela criação do padrão de beleza da mulher vitoriana ideal e, é claro, teve grande influência no horror do século XIX, para citar alguns de seus “méritos”. A doença era impactante: na época, a tuberculose era para muitos uma sentença de morte lenta, dolorosa e muitas vezes carregada de estigmas e mistérios. Suas manifestações físicas eram visíveis e dramáticas, transformando as vítimas em imagens vivas de fragilidade, enquanto sua transmissão, ainda incompreendida, alimentava uma sensação tangível de pavor e impotência. Este medo, aliado à sua prevalência em praticamente todos os estratos da sociedade, transformou a tuberculose em um símbolo de ruína física e social, capaz de inspirar tanto lamentos românticos quanto pânico coletivo.

Para além de seu impacto físico, a tuberculose era envolta em um tipo particular de horror psicológico. O fato de a doença parecer “consumir” a vida de suas vítimas, deixando-as cada vez mais magras, pálidas e exaustas, reforçava uma associação quase sobrenatural entre a enfermidade e ideias de parasitismo ou drenagem vital. A tuberculose também era assustadora por sua capacidade de invadir silenciosamente um lar e devastar uma família inteira, uma casa após a outra, sem distinção de classe social ou localidade. Este padrão de transmissão insidioso – muitas vezes observado durante epidemias – fez com que a doença fosse percebida quase como uma força maligna invisível, uma espécie de entidade que habitava corpos e destruía comunidades inteiras. Para uma população incapaz de compreender as causas da doença e desesperada por respostas, essas mortes sequenciais eram frequentemente atribuídas a influências sobrenaturais que ofereciam uma explicação, ainda que fantasiosa, para o caos – algo frequentemente buscado por sociedades assoladas por problemas que lhes parecem sem solução, tanto na procura por uma sensação de controle e por soluções, quanto para servir como um tipo de conforto, ainda que estranho, para os afetados.

O impacto emocional e cultural da tuberculose não pode ser ignorado. Enquanto os médicos lutavam para encontrar soluções, a doença infiltrava-se no imaginário coletivo, influenciando artistas, poetas e escritores. A figura do doente tuberculoso – bela, frágil e condenada – tornou-se um arquétipo romântico, um ideal de beleza, e um lembrete sombrio da vulnerabilidade humana. Nesse contexto, é fácil entender por que a tuberculose, com sua combinação de mistério, sofrimento e potencial de contágio, tornou-se um elemento central no desenvolvimento da literatura e das artes da época – e, acima de tudo, como ela foi uma das principais preocupações do período, do tipo da qual o horror se alimenta.

A tuberculose criou mais vampiros que Anne Rice e Stephenie Meyer combinadas. Isso se dá pois, de maneira geral, surtos de pânico relacionados a vampiros vinham, na verdade, de uma mistura de medos supersticiosos e por vezes religiosos com, acima de tudo, desconhecimento de medicina e doenças diversas, com a tuberculose sendo a principal delas. Mas quais seriam os motivos de tal relação?

O vampirismo e a doença:

O vampiro sempre foi associado, ainda que indiretamente, com a doença: os sintomas que indicavam que alguém estava servindo de alimento para um vampiro em sua maioria coincidem com sintomas de doenças comuns dos séculos XVIII e XIX, como a tuberculose – coisas como palidez e cansaço extremos, delírios (normalmente associados à febre alta) e uma aparência de “beleza” – descrita, por exemplo, por Bram Stoker quando Drácula está se alimentando da jovem Lucy Westenra, cujo cadáver é descrito como sendo imensamente belo e combinando perfeitamente com os ideais de beleza da época (que, não por acidente, tinham imensa relação com a aparência característica de uma pessoa tuberculosa, incluindo pele pálida e translúcida, magreza, olhos brilhantes, bochechas rosadas e cabelo sedoso). Já em Nosferatu, em 1922 (e, é claro, na versão atual), o vampiro é associado com a peste, trazendo a terrível doença para a cidade inteira através de seus ratos.

The Real-Life Vampire Autopsies of the Victorian Era - Atlas Obscura

De maneira semelhante, os instrumentos usados para afastar vampiros e outras entidades malignas, como bruxas e demônios, eram, coincidentemente, em sua maioria substâncias e materiais com papel direto no combate a infecções, como a prata, o sal e o alho. Não é de se espantar que, desconhecendo diversas doenças e, mais ainda, diversos antissépticos e desinfectantes, sintomas estranhos fossem creditados a possessões demoníacas e influências malignas por pessoas simples e altamente supersticiosas em regiões rurais da Europa moderna, e que as substâncias responsáveis por acalmar esses sintomas – em virtude, sabemos hoje, de suas propriedades antissépticas – fossem imediatamente vistas como possuindo algum tipo de poder sobrenatural contra tais seres.

Vampiros, epidemias e história:

O século XIX foi um período interessantíssimo, se estranho e cheio de contradições, para a ciência e sobretudo para a medicina. Até muito recentemente, a medicina em muitas áreas tinha sido largamente dominada por uma mistura de práticas ineficientes ou mesmo malignas com fé em Deus e na cura divina – algo muito presente no campo médico de então. A própria medicina, apesar de ser tratada como ciência já há séculos, ainda estava se afogando em superstições e práticas espirituais, com crenças antiquadas (algumas efetivamente medievais) e nem um pouco cientificas tendo sido até pouquíssimo tempo antes consideradas infalíveis, e ainda no processo de lentamente desaparecerem.

Apesar de ter visto imensos desenvolvimentos no campo médico e científico e ter sido certamente um dos períodos mais importantes do desenvolvimento da medicina, como muitos chamando um certo período mais ao fim do século de “Era de Ouro” da medicina, a era vitoriana também está inserida no contexto que hoje conhecemos como a “Era Heroica” da medicina, que visava curar diversas doenças através de tratamentos extremamente agressivos, com a intenção explícita de “chocar” o corpo. Alguns exemplos incluem o incentivo à sudorese extrema, a indução ao vômito e a prática de sangrias, todos normalmente utilizados em níveis altamente exagerados que muitas vezes causavam mais mal do que bem.

Heroic medicine - Wikipedia

O próprio Bram Stoker foi submetido a diversos desses tratamentos, e sobretudo sangrias, em sua infância em função de sua saúde conhecidamente frágil. Essas sangrias eram conduzidas com cortes feitos por lâminas ou através da utilização de sanguessugas. Ambos os métodos certamente causaram uma impressão duradoura e sem dúvida negativa em Stoker – que menciona sangrias e transfusão de sangue inúmeras vezes em Drácula, e que, acima de tudo, parece ter sido bastante influenciado por sua experiência pessoal em ter seu sangue sugado de seu corpo contra sua vontade por criaturas repulsivas.

Leia também: 6 adaptações de Drácula para assistir depois de Nosferatu

Como mencionado, porém, nem tudo era ruim: a medicina estava fazendo imensos avanços, e a boa reputação da medicina vitoriana tem muita relação com o fato de o período ter visto o início da compreensão de muitas doenças que há séculos aterrorizavam a população sem qualquer explicação a respeito de suas origens, causas e curas. Antes dos avanços da medicina no final do século XIX, muitas doenças infecciosas, como tuberculose, peste bubônica e cólera, eram mal compreendidas, e suas causas e formas de transmissão eram envoltas em mistério. Em comunidades rurais e isoladas, onde crenças supersticiosas eram comuns, essas doenças frequentemente se tornavam o pano de fundo para o surgimento ou a consolidação de lendas sobre vampiros. Isso está bem documentado ao longo da história, que mostra que surtos de pânico vampírico estão com frequência ligados a epidemias.

Uma doença que muito contribuiu para o medo de vampiros foi a peste bubônica. Durante os surtos da peste na Europa medieval e no início da modernidade, o rápido número de mortes e a natureza imprevisível da doença geraram um estado de pânico generalizado. Túmulos eram frequentemente abertos por necessidade, seja para reutilização em tempos de mortalidade em massa ou por tentativas de investigar causas sobrenaturais para o surto. Ao abrir os túmulos, era comum encontrar corpos em diferentes estados de decomposição, muitas vezes interpretados como sinais de atividade vampírica. Casos como o de Črnkovec, na Croácia, em 1672, exemplificam essa conexão. Durante um surto local, moradores acreditaram que vampiros estavam por trás das mortes misteriosas. Registros indicam que vários corpos foram exumados, incluindo o de um homem chamado Petar Blagojević, cujas unhas e cabelos pareciam ter crescido após a morte – um fenômeno explicado hoje pelo encolhimento da pele durante a decomposição. Na época, no entanto, isso foi visto como evidência de vampirismo, e o cadáver foi destruído para proteger a comunidade.

Esses casos, é claro, aconteceram muito antes do século XIX, em períodos em que a compreensão a respeito dessas doenças era muito mais limitada. O que explica, portanto, a continuação desse tipo de superstição ainda na era vitoriana, quando, em teoria, as populações eram mais bem-educadas, a ciência muito mais avançada e o conhecimento significativamente melhor difundido? Em muitos casos, medo de mudanças e desconfiança científica – isto é, negacionismo. Apesar dos significativos avanços nas explicações científicas para doenças comuns e mortíferas, muitas pessoas continuaram agarrando-se a superstições, fábulas e monstros para explicar essas ocorrências quando muita coisa ainda estava incerta e as explicações técnicas ainda estavam engatinhando.

Epidemias de cólera no século XIX fomentaram crenças em vampiros, especialmente em regiões do Leste Europeu, onde a lenda já era profundamente enraizada no folclore local. Durante um surto de cólera em 1833 na Galícia (hoje parte da Polônia e Ucrânia), relatos de vampiros começaram a se espalhar, levando a exumações e destruição de cadáveres em várias aldeias. Assim como no caso da tuberculose, o rápido contágio e a sucessão de mortes entre familiares alimentaram a ideia de que algo sobrenatural estava em ação. Um caso notável ocorreu na vila de Kisiljevo, na Sérvia, onde o cadáver de um homem chamado Arnold Paole foi exumado em 1732, durante um surto de doença que devastava a população local. As autoridades, pressionadas pelos moradores, registraram que o corpo parecia “fresco” e com traços de sangue na boca – características atribuídas ao vampirismo. Paole foi então submetido a rituais para “neutralizar” sua influência, incluindo a famosa prática de cravar uma estaca em seu coração. Particularmente relevante para Drácula é o fato de a mãe de Bram Stoker, Charlotte Thornton, ter sido nativa da cidade de Sligo, no oeste da Irlanda, onde uma grande epidemia de cólera matou milhares em 1832, quando ela era jovem. Ela mais tarde escreveu suas memórias sobre a epidemia, e Bram Stoker as utilizou como inspiração durante a escrita de Drácula. Essas memórias incluem pessoas doentes sendo enterradas ainda vivas na esperança de conter o espalhar da doença.

Charlotte Thornley's Cholera Memoir

Outras doenças também inspiraram esse mesmo medo: doença do sono, uma doença por infecção parasitária com sintomas que podem incluir febre, dores de cabeça e nas articulações, coceira, alterações comportamentais, confusão mental e má coordenação; porfirias diversas, cujos sintomas variam de acordo com o tipo específico, mas com frequência envolvem o sistema nervoso, a pele e outros órgãos; raiva, um vírus mortal que pode causar febre, dor de cabeça, salivação excessiva, espasmos musculares, paralisia e confusão mental severa, que quase sempre resulta em morte a partir do momento que os sintomas se manifestam; e catalepsia, uma doença que provoca rigidez muscular sem contrações, forçando a pessoa a se manter imóvel em postura fixa por vários minutos, horas, ou mesmo dias.

A catalepsia aqui é particularmente notável pois, em alguns casos, a respiração é afetada, e a vítima pode ser tomada por morta sem o estar de fato; isto em certas ocasiões levava pessoas a serem enterradas vivas, e quando o corpo era exumado para verificar a possibilidade de ter se tornado um vampiro, ele com frequência era encontrado em um estágio de decomposição inferior ao esperado – afinal, a pessoa tinha morrido depois do momento em que tinha sido registrada como morta -, ainda com sangue fresco no corpo, ou mesmo tendo se movimentado dentro do caixão, fazendo crer que a pessoa era, evidentemente, um morto-vivo. A porfiria, por sua vez, em muitas ocasiões resultava em sintomas que incluíam a sensitividade à luz solar, palidez fora do comum, dentes alongados (em função da contração das gengivas) e pelos acima da média.

Outro fator nos pânicos vampíricos inclui a ação de “homens da ressurreição” – isto é, homens contratados por médicos vitorianos para roubarem cadáveres recém-enterrados de cemitérios na calada da noite para fornecer objetos de estudo para cirurgiões em universidades em um período em que a doação de cadáveres para a ciência era extremamente escassa, e os estudos precisavam ser realizados clandestinamente, em uma prática extremamente comum – e ladrões de túmulos. Em ambos os casos, túmulos muitas vezes eram abertos para serem encontrados totalmente revirados ou, com razoável frequência, vazios, levando as pessoas a acreditarem que o morto tinha se levantado de seu túmulo – quando, na verdade, o cadáver tinha simplesmente sido roubado. Isso aumentava a crença e o medo de vampiros e, por consequência, a quantidade de rituais francamente bárbaros realizados para purgar comunidades de vampiros.

Mesmo quando os cadáveres estavam em seus devidos lugares, porém, isso não significava que eles não seriam considerados vampiros. A falta de entendimento a respeito da progressão da decomposição de cadáveres também foi fundamental para o desenvolvimento das crenças sobre vampiros no mundo real. Cadáveres tidos como estranhamente bem preservados eram indicativos de vampirismo, pois indicavam que a pessoa não estava de fato totalmente morta – na realidade, as condições do enterro, incluindo o material do caixão, o local do sepultamento, a temperatura, etc., etc., eram responsáveis pelas diferentes velocidades da desintegração dos tecidos. Ao mesmo tempo, em outros períodos, o escurecimento ou arroxeamento da pele, hoje entendidos como parte natural do apodrecimento da carne, era creditado ao suposto sangue consumido pelos mortos-vivos, e o inchaço do cadáver, que hoje sabe-se ter relação com os gases do corpo, também servia como indicativo de que ele estava se alimentando e, portanto, “ganhando peso”.

Leia também: 8 curiosidades sobre vampiros de acordo com Carmilla, de Sheridan LeFanu

Este é outro cenário em que as memórias da juventude da mãe de Bram Stoker possivelmente tiveram influência em Drácula: quando criança, Charlotte frequentava a Igreja de Santa Maria e João Batista em Sligo, e é dito que a argila no cemitério da igreja fazia com que os corpos não se decompusessem apropriadamente devido à umidade e constituição química do solo, com histórias de túmulos sendo abertos para revelarem corpos que pareciam recentemente enterrados, apesar de estarem sob o solo por muitos anos. O fenômeno, conhecido como adipocera ou cera cadavérica, consiste na putrefação do cadáver, sendo substituída por uma permanente e firme camada de uma substância similar a uma cera que protege e conserva órgãos internos e os tecidos da face.

Esses casos – de doenças, exumações, cadáveres desaparecidos ou preservados – não apenas alimentaram as lendas locais, mas também influenciaram a percepção mais ampla do vampiro no Ocidente. Os relatos dessas exumações e destruições de corpos foram documentados e amplamente divulgados por viajantes e estudiosos da época, incluindo médicos militares e membros do clero, que muitas vezes acrescentavam um tom de autoridade científica às histórias. Esses relatos ajudaram a popularizar o mito do vampiro em países como Inglaterra, França e Alemanha, onde o folclore original era menos difundido.

A tuberculose como epicentro do vampirismo:

Não é de se estranhar que boa parte dos casos de crises coletivas de pânico a respeito de vampiros tenham surgido durante epidemias ou, ao menos, períodos de grande contágio de doenças diversas, mas sobretudo de tuberculose – uma doença extremamente comum, extremamente contagiosa, e quase que inevitavelmente mortal antes de certos avanços na medicina contemporânea. Altamente irregular, imprevisível, e com sintomas e sinais post-mortem que se alinhavam perfeitamente com muitas crenças e superstições bem enraizadas no folclore popular, era natural que a doença se tornasse parte do pânico vampiresco de sua época.

How 19th Century Disease Panic Created “Vampires” As We Know Them

A tuberculose figura aqui como particularmente presente nesses cenários por seu extremo potencial de contágio, alimentando as lendas de vampiros que, alimentando-se de outros, criavam mais vampiros, em um crescimento acelerado e praticamente logarítmico. A doença e seus sintomas eram muitas vezes tidos como inexplicáveis e, mais uma vez em função de sua furiosa capacidade de contágio, frequentemente tomava conta e eventualmente eliminava famílias inteiras em um curto espaço de tempo. Isso também alimentava a lenda do vampiro, pois a progressão da infecção por tuberculose frequentemente ocorria de tal maneira que a primeira pessoa doente morria logo antes de os outros membros da família começarem a perceber os sintomas em si próprios e, a seguir, declinarem em saúde com rapidez extrema. Para muitos, isto servia como prova de que a saúde dos familiares estava sendo sugada pelo membro da família que tinha acabado de falecer, e se levantava do túmulo para consumi-los.

É interessante notar que, em inglês, a tuberculose era conhecida como “consumption”, isto é, algo como “consumição” ou “consumo” (o termo talvez não seja o mais adequado, mas, enfim, a palavra ver do verbo “to consume”, “consumir” em português) até o final do século XIX. Isso se relaciona com a percepção de que o doente está tendo sua saúde “consumida” ou está sendo consumido pela doença na medida em que enfraquece e, em termos hiperbólicos, “desaparece” enquanto a aflição progride, e a vítima se torna cada vez mais magra e pálida. Isso, é claro, se relaciona muito bem com o conceito de vampiro, que literalmente consome a vida de sua presa, sugando seu sangue até que ela morra. Para muitas pessoas, portanto, era natural concluir que seus entes queridos, na verdade, adoecidos com tuberculose, estavam tendo sua saúde e vida sugadas por um vampiro.

Morte após a morte:

De qualquer maneira, o resultado final de todas essas ocasiões foi o mesmo: uma febre de destruição de cadáveres na medida em que famílias aterrorizadas exumavam seus mortos com o objetivo de expulsar ou prevenir possessões demoníacas. O primeiro passo nesse sentido era a identificação dos vampiros: túmulos eram abertos e cadáveres examinados em busca de sinais de vampiro – isto é, um nível menor do que o tido como normal de decomposição (que poderia variar imensamente, embora boa parte das populações mais simples da época o ignorassem, de acordo com as condições do enterro), o crescimento do cabelo e das unhas (que hoje sabemos ser uma parte comum do processo de decomposição na medida em que os tecidos retraem), “ganho de peso” (hoje compreendido como o inchaço natural do processo de putrefação relacionado aos gases contidos no cadáver), ou traços de “sangue fresco” em algum lugar, sobretudo no coração. Mais uma vez, a tuberculose era particularmente apropriada para a “criação” de um vampiro, pois não era incomum que vítimas da doença fossem encontradas com sangue na boca e nos lábios quando desenterrados, algo que, não surpreendentemente, era interpretado como um sinal claro de vampirismo; na verdade, dependendo da situação do tuberculoso no momento da morte, o sangue contido nos pulmões muitas vezes sobe e vaza pela boca. Identificados os vampiros, a parte mais complicada e, por vezes, abjeta começava.

As técnicas para se livrar do vampiro, como quase tudo o mais no que diz respeito a esses seres mitológicos, variam de acordo com a lenda. Para impedir que um morto se transforme em um vampiro, há diversas maneiras, indo de algo tão simples como cultivar certas plantas ou posicionar objetos que espantam vampiros, como alho e crucifixos, no túmulo de um ente querido para afastar o mal, até cortar os joelhos dos cadáveres para impedir que eles se levantem durante a noite.

Para vampiros que já estão transformados e já se alimentaram de sangue humano, a coisa é mais severa, porém. A mitologia mais comum envolve alguma variação de um ritual que costuma incluir a decapitação do cadáver, pregar o corpo no caixão (ou, alternativamente, enterrar o cadáver em uma encruzilhada), e passar uma estaca de madeira pelo coração (com variações sugerindo a boca ou o estômago). Outras versões, porém, sugerem tirar todos os órgãos do cadáver e queimá-los (em algumas versões, queimar apenas o coração já é suficiente) ou queimar o cadáver inteiro. A relação entre a “possessão” (a doença) e o vampiro não para, porém: várias versões dos mitos dizem que as vítimas do vampiro recém-destruído que ainda estão vivas devem inalar a fumaça gerada pela queima do cadáver ou comer as cinzas do coração queimado misturadas com água para terem sua saúde reestabelecida

O Pânico Vampírico da Nova Inglaterra:

Nos anos 1700, histórias de ataques de vampiros na Prússia e no Império Austríaco começaram a surgir, e relatos similares começaram a se espalhar e surgir em várias partes da Europa e, eventualmente, no final do século XVIII, dos Estados Unidos. Enquanto as crises de pânico relacionadas a vampiros e as consequentes exumações e destruições de cadáveres começaram a diminuir na Europa ao longo do século XVIII, se tornando extremamente incomuns após os anos 1770, elas não estavam nem perto de acabar nas regiões rurais dos Estados Unidos, que se juntaram aos pânicos vampíricos muito mais tarde, e mais tarde os deixaram para trás também. No meio tempo, muitas histórias do tipo surgiram, resultando, por exemplo, no infame “Pânico Vampiresco de New England” ou “Pânico Vampírico da Nova Inglaterra”.

O Pânico Vampírico da Nova Inglaterra, ocorrido entre os séculos XVIII e XIX, é um dos episódios mais intrigantes e sombrios da história cultural americana. Em vilarejos rurais de estados como Rhode Island, Vermont e Connecticut, o medo de vampiros tomou conta de comunidades inteiras. Este período foi marcado por práticas macabras de exumação de cadáveres e destruição de restos mortais, motivadas por uma crença desesperada de que os mortos estavam se levantando de seus túmulos para drenar a vida dos vivos. Em sua essência, porém, esse fenômeno não era sobre vampiros, mas sobre a devastação causada pela ainda incompreendida tuberculose.

No final do século XVIII e início do XIX, a tuberculose era uma das maiores causas de morte nos Estados Unidos, particularmente em áreas rurais. Sem conhecimento de que a doença era causada por uma bactéria e altamente contagiosa, as pessoas observavam seus entes queridos adoecerem e morrerem em rápida sucessão. Famílias inteiras eram destruídas pela enfermidade, e a comunidade, muitas vezes, via isso como uma força sobrenatural em ação. A crença no vampirismo era, de certa forma, uma tentativa de explicar o inexplicável. Quando os sintomas da tuberculose, como febres, suores noturnos e tosse com sangue, começavam a se manifestar nos sobreviventes, muitos acreditavam que esses sinais eram provas de que um ente querido falecido havia se tornado um vampiro e estava voltando do túmulo para atormentar a família. A solução? Desenterrar os mortos, buscar evidências de vampirismo e realizar rituais para interromper sua suposta influência em tentativas desesperadas de contar o que se percebia como o maligno.

Embora o pânico vampiresco da Nova Inglaterra seja muitas vezes tratado como uma peculiaridade americana, suas raízes estão profundamente conectadas às tradições folclóricas europeias. No século XVIII, histórias de vampiros eram comuns em partes da Europa Central e Oriental, e relatos de exumações e destruições de corpos também ocorreram em diversos países do continente. À medida que colonos europeus migraram para os Estados Unidos, trouxeram consigo essas crenças, que encontraram terreno fértil em comunidades rurais isoladas e devastadas pela tuberculose.

Com o avanço da ciência no final do século XIX, especialmente com a descoberta da bactéria Mycobacterium tuberculosis por Robert Koch em 1882, as verdadeiras causas da tuberculose começaram a ser compreendidas. À medida que o conhecimento sobre transmissão e tratamento da doença se espalhou, as crenças em vampiros como responsáveis por surtos de morte começaram a desaparecer – embora ainda tenham levado algum tempo para se tornarem praticamente nulas; já em 1892, ainda há registros horríveis de eventos ocorridos na pequena cidade de Exeter em Rhode Island.

 No entanto, as histórias e os casos documentados do Pânico Vampírico da Nova Inglaterra permanecem como um lembrete fascinante de como a ignorância e o medo podem moldar as crenças culturais. Hoje, o Pânico Vampírico da Nova Inglaterra é frequentemente visto como uma janela para as ansiedades de uma época em que a morte era uma presença constante e a ciência ainda estava engatinhando. Esses eventos, embora chocantes, ajudaram a consolidar o mito do vampiro no imaginário popular, influenciando desde lendas locais até obras literárias como Drácula.

“Vampiros” da vida real?

Mercy Lena Brown é um dos mais conhecidos casos de “vampiros” da vida real que, na verdade, eram apenas vítimas de tuberculose. A adolescente de 19 anos morreu de tuberculose em Rhode Island em 1892, durante o pânico da Nova Inglaterra. Seu cadáver foi exumado pouco depois, assim como o de sua mãe, Mary Brown, e de seus irmãos, todos mortos da mesma doença ao longo de muitos anos, com a relutante autorização do pai de Mercy, George Brown (que não acreditava na teoria de vampiros), para serem examinados após o espalhamento da doença pelo vilarejo em que viviam. Enquanto os irmãos e a mãe de Mercy foram considerados apropriadamente decompostos, a cadáver de Mercy foi declarado muito preservado.

Mercy Brown vampire incident - Wikipedia

Entretanto, os habitantes da região, um vilarejo rural muito simples, eram em sua maioria pessoas ignorantes de fatores como ambiente e temperatura no tempo de decomposição de um cadáver, e deixaram de levar em consideração que Mercy estava enterrada em uma cripta de pedra, acima do solo e em condições de temperatura muito mais frescas, enquanto o resto da família tinha morrido anos antes de Mercy e sido enterrados em condições muito distintas. De qualquer maneira, Mercy passou a ser vista como uma vampira, e para eliminar o perigo, teve seu coração cortado e queimado, com as cinzas tendo sido misturadas com água e dadas para o consumo de seu irmão mais novo, também doente com tuberculose. Isso, é claro, não teve nenhum efeito real, e a criança morreu dois meses depois. Mercy Brown se tornou um tipo de infeliz ícone da mitologia vampírica, tendo sido a suposta inspiração para a personagem de Lucy Westenra em Drácula.

Algo similar aconteceu com Frederick Ransom em Vermont. O jovem morreu de tuberculose aos 20 anos, e teve seu corpo exumado e seu coração queimado em uma forja de ferreiro pelo pai, que temia que o filho retornasse para matar o resto da família. O espetáculo foi assistido por várias pessoas. O caso de Ransom ficou particularmente célebre – ou, melhor colocando-se, infame – pois ele era proveniente de uma família abastada e com educação universitária, e, portanto, seu destino foi bastante incomum: normalmente, o pânico vampiresco era espalhado em comunidades mais pobres e menos educadas, e dificilmente chegavam as classes mais altas, tornando Ransom uma vítima das mais irregulares nesse caso.

Outros nomes conhecidos de vítimas de exumações e da destruição de seus cadáveres durante o mesmo período por medo de serem vampiros incluem Rachel Burton, morta em Vermont em 1790 e exumada em 1793; Samuel Salladay, morto em Ohio em 1815 e exumado em 1816; John Barber, morto em 1843 e exumado circa 1848; além de diversos outros casos em que os nomes não foram documentados.

A True New England Vampire Story - The Sun Times News

Embora casos como esses fossem razoavelmente comuns, isso não quer dizer que fossem vistos como “normais”: mesmo que muitas pessoas, sobretudo em regiões rurais, acreditassem em vampiros e outras lendas do tipo, ainda mais pessoas já compreendiam os vampiros como folclore, e achavam as práticas de destruição de cadáveres bárbaras. Um artigo de jornal noticiando o que havia ocorrido com Mercy Brown, publicado em Providence, uma cidade a cerca de meia hora de distância (de carro) do local do evento, sentenciava: “O chocante caso de exumação em uma das cidades de fronteira desse estado semana passada é, afina, apenas uma ilustração mais impressionante que o normal de uma verdade que não pode ser negada, de que a quantidade de ignorância e superstição a ser encontrada em alguns dos cantos da Nova Inglaterra é mais que surpreendente para alguém que entre em contato com ela pela primeira vez. Há elementos consideráveis da população rural nessa parte do país sobre os quais as forças da educação e da civilização fizeram escassamente qualquer impressão”.

Sangue é vida: o vampiro como reflexo da tuberculose

O maior argumento em favor da relação inegável entre medicina e vampiros talvez seja o fato de que, a medida que a ciência médica avançou e passou a ser melhor difundida e trazer real alívio e explicações para a população geral – e, em particular, após Robert Koch anunciar a descoberta da bactéria que causava a tuberculose em 1882 e o embalsamamento químico se tornar cada vez mais comum -, pânicos vampirescos, rituais macabros para destruir cadáveres e o próprio vampiro enquanto figura permeando o imaginário real de comunidades inteiras se tornaram cada vez mais incomuns. Os pânicos vampirescos dos séculos XVIII e XIX são um reflexo marcante de como o medo e a ignorância podem moldar a visão de mundo de uma sociedade. Em tempos de epidemias devastadoras, os vampiros serviram como explicações sobrenaturais para fenômenos que a ciência da época não conseguia elucidar, oferecendo respostas que, embora fantasiosas, proporcionavam uma sensação de controle em meio ao caos. Em troca, a tuberculose serviu como fundamentação acidental para a criação de boa parte do mito moderno do vampiro, inspirou inúmeras histórias clássicas, e até hoje tem um papel fundamental no imaginário vampírico.

How 19th-Century Disease Panic Created 'Vampires' As We Know Them - Journalnews

Hoje, com o avanço da medicina e o entendimento das doenças infecciosas, esses eventos podem parecer absurdos, mas continuam não apenas a fascinar e horrorizar em igual medida, como são prova documentada da influência dos terrores e ansiedades sociais reais na literatura de terror e na composição do imaginário de horror de uma época. Eles revelam não apenas como as lendas podem surgir e evoluir, mas também como o desconhecido sempre será uma força poderosa no imaginário humano. O vampiro, enquanto símbolo, transcendeu seu contexto histórico e continua a capturar a imaginação de audiências, lembrando-nos de que os medos que o criaram ainda ressoam, e que a literatura, o cinema e, sobretudo, o horror, sempre serão firmemente enraizados em medos reais.

dráculaNosferatutuberculosevampirovampiros
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Clarissa Desterro

Historiadora (UFAM), tradutora e escritora com foco na Primeira Guerra Mundial, e criadora das páginas @behindherglasses_ e @clarissadesterro no Instagram

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