Pela primeira na história, preso defende doutorado em unidade prisional de Goiás

Pela primeira vez na história, um detento defendeu sua tese de doutorado diretamente do interior do presídio goiano. A pesquisa, que integra artes visuais, computação e museologia, foi avaliada por uma banca da Universidade Federal de Goiás (UFG). A apresentação ocorreu de forma virtual a partir do Colégio Estadual Dona Lourdes Estivalete Teixeira, localizado dentro da Penitenciária Coronel Odenir Guimarães (POG), no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia.

Leia mais: “Sing, Sing” (2024): Colman Domingo lidera presos que descobrem o teatro como forma de expressão e acolhimento


Formado em Design Gráfico e com mestrado em Cultura Visual, ambos pela Universidade Federal de Goiás (UFG), o reeducando iniciou o doutorado em 2020, antes de sua prisão. Mesmo detido em agosto de 2024, ele conseguiu dar continuidade à pesquisa dentro da Penitenciária Coronel Odenir Guimarães (POG), com apoio integral da Polícia Penal de Goiás. O suporte incluiu acesso a materiais, internet supervisionada e horários dedicados ao estudo. Além disso, o reeducando conciliou as demandas acadêmicas com atividades laborais na unidade, demonstrando disciplina e aproveitando os benefícios da remição de pena.

Como funciona a remissão de pena pelo estudo?

A remição de pena, prevista na Lei de Execução Penal (art. 126, alterado pela Lei 12.433/2011), permite reduzir a pena do condenado. A cada 3 dias de trabalho ou 12 horas de estudo (em até 3 dias), 1 dia é abatido da pena. O estudo pode ser presencial ou a distância, com comprovação oficial. O juiz homologa mensalmente, incentivando educação e trabalho. No caso do doutorando, estudar 4h/dia por 3 dias já remiu 1 dia da pena.

Com informações de Giovanna Campos, do Jornal Opção

Related posts

Crianças palestinas dão exemplo e fazem protestos diários contra exército israelense após bloqueio de acesso à escola

Aos 77 anos, Padre Júlio Lancellotti recebe título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)

Papa Leão XIV cita “O Senhor dos Anéis” em encíclica papal: “devemos adotar a perspectiva das vítimas, reviver o diálogo e o multilateralismo”