Durante 125 anos, funcionou em Salvador, Bahia, a Livraria Catilina, considerada a primeira livraria do Nordeste brasileiro. Era frequentada por autores, intelectuais e estudantes desde os anos de 1835.
Além de livraria, a Catilina também funcionava como editora e tipografia, e publicou autores como Rui Barbosa, Carneiro Ribeiro e Castro Alves. Além disso, também fez parte de seu catálogo o maranhense Coelho Neto, entre outros autores. Jorge Amado, no século XX, também frequentou a livraria.
A Catilina se tornou um espaço voltado para a cultura e um importante ponto de incentivo não apenas às atividades intelectuais, mas também aos esportes e às atividades sociais, constituindo-se em um verdadeiro símbolo da efervescência intelectual da capital baiana nos séculos XIX e XX.
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Carlos Poggetti foi o responsável pela criação da Livraria Catilina em 1835, que logo se tornou também uma tipografia, em 1849, preenchendo o vazio deixado pela antiga Tipografia Silva Serva, que havia sido fechada em 1827.
A criação da Tipografia Poggetti representa um marco na produção literária brasileira, que até então, no século XIX, dependia da importação de livros — o que estava desalinhado com o desenvolvimento do sistema educacional de Salvador, que já possuía ensino superior, com a presença da Faculdade de Medicina, além de sólida estrutura comercial, administrativa e jurídica.
Apesar das dificuldades enfrentadas e da qualidade inferior das impressões, a Catilina se tornou a principal instituição responsável pelas importações e vendas de livros, inclusive sob encomenda, e foi essencial no processo de modernização e transformação da cidade de Salvador.

Muito além de um ponto de encontro, a Livraria Catilina foi responsável pela impressão dos Livros em Branco que, de acordo com a professora Alícia Duhá Lose, “serviam como livros para registros médicos, atas, entrada e saída de pessoal. Tinham formatos genéricos, mas era possível encomendar de forma específica, com cabeçalho tipografado com o nome da instituição”.
A Livraria Catilina é uma representação da importância do registro histórico para a construção de uma memória que nos permita conhecer o nosso território e as pessoas que o ajudaram a construí-lo. Saber do passado nos ajuda a construir pontes para o futuro!

