David Grossman, um dos autores mais proeminentes de Israel, disse ao jornal italiano La Repubblica que decidiu começar a usar a palavra “genocídio” para descrever a situação em Gaza.
“Durante anos, me recusei a usar a palavra ‘genocídio’. Mas agora não consigo mais evitar usá-la, depois do que li nos jornais, das imagens que vi e das conversas que tive com pessoas que estiveram lá”, declarou ele na entrevista publicada na edição impressa do jornal na sexta-feira.

Grossman afirmou que chegar à conclusão de que Israel está cometendo um genocídio em Gaza foi um processo extremamente doloroso em um nível pessoal, mas que agora considera essa conclusão inevitável.
“Quero falar como alguém que fez tudo o que pôde para evitar ter que chamar Israel de um Estado genocida. E agora, com imensa dor e o coração partido, tenho que dizer que está acontecendo diante dos meus olhos. Genocídio”, disse.
O escritor israelense acrescentou que agora sente uma obrigação moral de se manifestar.
“Sinto uma urgência interior de fazer a coisa certa, e agora é a hora de fazê-lo”, afirmou Grossman.

Questionado pelo jornalista sobre o crescente número de mortos em Gaza, ele respondeu:
“Sinto-me doente. Mesmo sabendo que esses números são controlados pelo Hamas e que Israel não pode ser o único responsável por todas as atrocidades que estamos testemunhando. Ainda assim, ler no jornal ou ouvir em conversas com amigos na Europa a associação das palavras ‘Israel’ e ‘fome’; e ainda mais partindo da nossa história, da nossa suposta sensibilidade ao sofrimento humano, da responsabilidade moral que sempre afirmamos ter para com todos os seres humanos, não apenas os judeus… tudo isso é devastador”, declarou.
As palavras de Grossman surgem em meio a uma crescente condenação internacional às ações de Israel em Gaza, enquanto vários países, incluindo França e Reino Unido, prometeram reconhecer um Estado palestino em um futuro próximo.

