O escritor chileno Alejandro Zambra, um dos nomes mais celebrados da literatura latino-americana contemporânea, revelou parte de sua biblioteca pessoal em uma conversa breve, descontraída e repleta de boas recomendações literárias. A iniciativa integra a curadoria especial da Tinta, plataforma de leitura por assinatura, que o convidou para selecionar os livros dos meses de maio e junho. Veja aqui.
Além das duas obras escolhidas especialmente para os assinantes, Zambra ampliou sua participação ao apresentar outros títulos significativos de sua coleção particular, com leituras que interagem com sua formação como leitor e escritor. Entre os títulos citados, há clássicos e obras menos conhecidas, mas todas revelam o gosto apurado e a sensibilidade do autor de Formas de voltar a casa e A vida privada das árvores.
El niño que enloqueció de amor, de Eduardo Barrios

“Rapaz de olhos grandes e profundos”, assim o descreveu Daniel de la Vega, enquanto Gabriela Mistral se referia àquele “menino insone… que desesperadamente chama pelo amanhecer”, e Ángel Cruchaga Santa María dizia: “Menino claro e sensível, esqueceste de rir…” Muitos foram os poetas que escreveram sobre esse menino que enlouquece de amor. A obra de Eduardo Barrios, excelente exemplo de seu estilo artístico, é um dos grandes sucessos da literatura chilena de todos os tempos. Trata-se de um romance breve, refinado, delicado, doloroso e repleto de um romantismo apaixonado que, na forma de diário íntimo, evoca a tragédia de um garoto apaixonado por uma mulher adulta.
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Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust

Em busca do tempo perdido é uma das maiores criações da literatura mundial. Dividida em sete livros, a obra-prima de Marcel Proust foi publicada entre 1913 e 1927, e sua beleza e força vão se revelando cada vez mais impactantes com o correr dos anos. A presente edição da Nova Fronteira conta com a primorosa tradução de Fernando Py e é dividida em três partes. Uma obra monumental, que deixou marcas eternas na literatura.
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O livro do desassossego, de Fernando Pessoa

O narrador principal (mas não exclusivo) das centenas de fragmentos que compõem este livro é o “semi-heterônimo” Bernardo Soares. Ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa, ele escreve sem encadeamento narrativo claro, sem fatos propriamente ditos e sem uma noção de tempo definida. Ainda assim, foi nesta obra que Fernando Pessoa mais se aproximou do gênero romance. Os temas não deixam de ser adequados a um diário íntimo: a elucidação de estados psíquicos, a descrição das coisas, através dos efeitos que elas exercem sobre a mente, reflexões e devaneios sobre a paixão, a moral, o conhecimento. “Dono do mundo em mim, como de terras que não posso trazer comigo”, escreve o narrador. Seu tom é sempre o de uma intimidade que não encontrará nunca o ponto de repouso.
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O livro do travesseiro, de Sei Shonagon

Escrito no século X em Quioto por Sei Shônagon, dama da corte da Imperatriz Teishi, O Livro do Travesseiro é a principal obra da literatura clássica japonesa. Composto por mais de trezentos textos curtos – que podem ser lidos em sequência ou com a liberdade do acaso -, o livro compõe um verdadeiro inventário da cultura do Japão feudal, vista pelo olhar poético de uma grande escritora. A presente tradução foi realizada durante mais de dez anos por uma equipe de professoras do Centro de Estudos Japoneses da USP.
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Massa e Poder, de Elias Canetti

Vencedor do prêmio Nobel de literatura, Elias Canetti conjuga antropologia, psicanálise, economia política, história das religiões, ciência política e sociologia da cultura nesta obra-prima do ensaísmo contemporâneo.
Assustado e pesaroso diante do espetáculo de adesão crescente das massas populares às organizações nazistas, na Alemanha e na Áustria dos anos 1930, o então jovem escritor Elias Canetti passou as três décadas seguintes tentando decifrar os segredos profundos da humanidade em suas manifestações mais corriqueiras e terríveis: mandar e obedecer; matar e sobreviver; medo e voracidade; paranoia e poder. O resultado dessa obsessão é esta obra-prima do ensaísmo, que une descrição narrativa a diversas áreas do saber ― entre elas, a antropologia, a psicanálise, a história das religiões e a ciência política ― e destrincha de modo singular a propagação do mal na contemporaneidade.
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Poemas Humanos, de César Vallejo

Escritos ao longo da década de 1930 e publicados postumamente, estes Poemas humanos são um dos pontos altos da poesia do peruano César Vallejo (1892-1938). O vocabulário hipnótico, a um só tempo coloquial e preciso; os versos livres, mas trabalhados em filigrana; a gama de temas, que vão do mundano e do político ao trágico e ao existencial ― tudo isso converge em poemas de intenso lirismo e igual modernidade, com poucos paralelos na poesia do século XX. Nesta nova versão brasileira dos Poemas humanos, os tradutores Fabrício Corsaletti e Gustavo Pacheco enfrentaram o texto de Vallejo sem se conceder atalhos fáceis. O resultado é esta edição, bilíngue e acompanhada de notas copiosas, que busca tornar audível em português do Brasil uma das vozes mais poderosas da poesia latino-americana.
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Oneirocritica, de Artemidoro de Daldis

Na Grécia e em Roma antigas, muitos acreditavam que os sonhos ofereciam vislumbres de eventos futuros. Oneirocritica, de Artemidoro — um tratado sobre adivinhação onírica e compêndio de interpretações de sonhos escrito em grego antigo entre meados do século II e início do século III d.C. — é o único texto sobrevivente da Antiguidade que ensina seus leitores a arte de usar os sonhos para prever o futuro. Nele, Artemidoro discute a natureza dos sonhos e como interpretá-los, oferecendo um catálogo enciclopédico de interpretações de sonhos relacionadas ao mundo natural, humano e divino.
Neste volume, Harris-McCoy apresenta um texto grego revisado do Oneirocritica, acompanhado de tradução para o inglês em páginas opostas, uma introdução detalhada e comentários acadêmicos. Buscando demonstrar a riqueza e a inteligência dessa obra ainda pouco estudada, ele dá especial ênfase à composição e estrutura do Oneirocritica, assim como aos seus fundamentos e contextos estéticos, intelectuais e políticos.
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Poesia completa, de Emily Dickinson

Este é o primeiro volume da poesia completa de Emily Dickinson, publicado em edição bilíngue pelas editoras da Unicamp e da UnB, com tradução de Adalberto Müller. A publicação traz notas explicativas e variantes (outras versões do mesmo poema) e, na margem das páginas, as alternativas (palavras ou expressões) que a autora anotava como possíveis substituições a serem feitas. Traz também um posfácio com apresentação dos aspectos editoriais relativos à transcrição dos poemas e referências que ajudam o leitor a compreender o contexto em que a obra foi produzida. Emily Dickinson deixou cerca de 1.800 poemas em mais de 30 anos de atividade literária. O segundo volume será publicado em 2021. Emily Dickinson nasceu em Amherst, Massachusetts (EUA), em 1830, e morreu na mesma cidade, em 1886. Salvo dez poemas divulgados em jornal, sua obra só foi difundida postumamente. De intensa emoção concentrada, sua poesia é única e antecipatória em termos de densidade léxica e liberdade sintática.Adalberto Müller é professor de teoria da literatura na Universidade Federal Fluminense. Publicou livros de poesia, ensaios e contos. Traduziu livros e poemas de Francis Ponge, e. e. cummings, Paul Celan e Rainer Maria Rilke.
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Mapa de soledades, de Juan Gómez Bárcena

Um apaixonante ensaio literário sobre a grande epidemia do século XXI: a solidão.
Uma extraordinária radiografia afetiva da solidão, uma cartografia pessoal do desamparo, mas também do retiro voluntário — que é ao mesmo tempo um mapa preciso e uma rede de conexões entre tempos, lugares, sujeitos e histórias. Juan Gómez Bárcena escreveu um livro lúcido, sereno, comovente e belo que, paradoxalmente, permanece com você e te acompanha para sempre.» — Miguel Ángel Hernández
Gómez Bárcena volta a romper as costuras da literatura com este livro fascinante, íntimo e ao mesmo tempo coletivo, que nos convida a revisar nossa sociedade atomizada, mas também nossos próprios fantasmas e medos. Uma obra original e emocionante que desfaz o mito de que a literatura é um ato solitário do autor e do leitor: escrevemos e lemos para não estarmos sós ou, talvez, para estarmos bem acompanhados. — Laura Barrachina
Pode-se estar só por muitos motivos. Há solitários forçados e solitários por escolha; há solidões passageiras e eternas; solidões que desembocam na loucura e outras que conduzem ao prazer e à criação. Pode-se estar só numa ilha, como o capitão Pedro Serrano, que inspirou a figura de Robinson Crusoé após um naufrágio em 1526; e também está só a dona de casa que passa roupas enquanto espera, a estrela pop que se recolhe em seu quarto de hotel, e a chamada “baleia de 52 hertz”, que canta há trinta e cinco anos numa frequência que nenhuma outra baleia consegue ouvir.
A partir de uma ampla bibliografia e das vidas de grandes solitários da história e da literatura, Mapa de soledades é um fascinante ensaio narrativo que busca compreender esse sentimento não apenas na sociedade contemporânea, mas em diferentes tempos e lugares — dos monges de Santa María de Huerta, em Sória, aos hikikomori japoneses; de Maria Antonieta a Miley Cyrus; do nazista Albert Speer à escritora Emily Dickinson.
Sem abandonar os recursos narrativos do romance e, mais uma vez, demonstrando absoluto domínio da linguagem, Juan Gómez Bárcena explora nestas páginas um tema universal e de relevância incontestável: a solidão — que não reconhece fronteiras, gêneros ou classes sociais — e que é considerada a grande epidemia do século XXI.
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Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes

Dom Quixote de La Mancha não tem outros inimigos além dos que povoam sua mente enlouquecida. Seu cavalo não é um alazão imponente, seu escudeiro é um simples camponês da vizinhança e ele próprio foi ordenado cavaleiro por um estalajadeiro. Para completar, o narrador da história afirma se tratar de um relato de segunda mão, escrito pelo historiador árabe Cide Hamete Benengeli, e que seu trabalho se resume a compilar informações. Não é preciso avançar muito na leitura para perceber que Dom Quixote é bem diferente das novelas de cavalaria tradicionais – um gênero muito cultuado na Espanha do início do século XVII, apesar de tratar de uma instituição que já não existia havia muito tempo. A história do fidalgo que perde o juízo e parte pelo país para lutar em nome da justiça contém elementos que iriam dar início à tradição do romance moderno – como o humor, as digressões e reflexões de toda ordem, a oralidade nas falas, a metalinguagem – e marcariam o fim da Idade Média na literatura.
Mas não foram apenas as inovações formais que garantiram a presença de Dom Quixote entre os grandes clássicos da literatura ocidental. Para milhões de pessoas que tiveram contato com a obra em suas mais diversas formas – adaptações para o público infantil e juvenil, histórias em quadrinhos, desenhos animados, peças de teatro, filmes e musicais -, o Cavaleiro da Triste Figura representa a capacidade de transformação do ser humano em busca de seus ideais, por mais obstinada, infrutífera e patética que essa luta possa parecer.
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A vida e as opiniões do cavalheiro Tristram Shandy, de Laurence Sterne

Obra-prima do humor e da sátira social, A vida e as opiniões do cavalheiro Tristram Shandy é o testamento literário de Laurence Sterne. Estruturada como uma sequência de conversas alimentadas por um anti-herói sempre disposto a mais dois dedos de prosa, ela é comparada a Dom Quixote de Cervantes e Tom Jones de Fielding.
Esta “autobiografia”, publicada em nove volumes a partir de 1759, é povoada por alguns dos personagens mais espirituosos da ficção inglesa. Parte romance, parte digressão, ela envolve o leitor em um labirinto criativo que antecipa tendências até mesmo do pós-modernismo.
Grande influência em autores do mundo todo, entre eles Machado de Assis e seu Memórias póstumas de Brás Cubas , o livro é considerado um dos pilares do romance moderno por ter distanciado em definitivo este gênero da poesia e do teatro. Tradução, introdução e notas de José Paulo Paes.
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Uma confraria de Tolos, de John Kennedy Toole

O protagonista é Ignatius J. Reilly, intelectual glutão, preguiçoso, egocêntrico, desagradável, um herói solitário em sua cruzada contra a modernidade. Como um Dom Quixote do século XX, Ignatius desbrava as ruas de Nova Orleans dos anos 1960 e enfrenta todo o tipo de tolos, malandros, aproveitadores e policiais desonestos. Por insistência da mãe, busca um emprego, mas cada uma de suas tentativas o leva a uma sucessão de desventuras. Uma confraria de tolos é um clássico da literatura moderna americana.
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Primavera Da Srta. Jean Brodie, de Muriel Spark

Em Edimburgo nos anos 30, houve uma certa Srta. Jean Brodie que afirmava estar na primavera da vida. Professora numa austera escola de meninas, a Srta. Brodie falava de pintores renascentistas e Mussolini, de cuidados com a beleza e vidas amorosas, de Charlotte Brontë e dela própria. Mas um dia esbarra na argúcia por ela mesma instigada e é forçada a abdicar do desejo de tornar suas alunas o crème de la crème. A primavera da Srta. Jean Brodie, de Muriel Spark, é considerado dos romances mais inovadores da década de 60.
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