Sueli Carneiro, uma das maiores intelectuais negras da atualidade, se tornou a primeira brasileira a obter a cidadania do Benin como reparação histórica, por meio do recebimento de seu passaporte beninense no dia 27 de fevereiro de 2026.
Todo o processo foi registrado pela equipe do documentário Mulheres Negras em Rotas de Liberdade, que contou com o apoio da Fundação Rosa Luxemburgo e integrará posteriormente o Acervo Sueli Carneiro.

Segundo dados oficiais, Sueli Carneiro preencheu o formulário número zero para obtenção da cidadania beninense. A concessão da cidadania aos afrodescendentes decorre de uma legislação recente do governo do Benin com o objetivo de promover a reconciliação e o reconhecimento das consequências da escravização.
O Brasil é um dos países mais impactados por esta legislação, visto que é o país com a maior concentração de população negra fora do continente africano a estabelecer conexões de território e origem.
Apesar de ser a primeira brasileira a receber a cidadania beninense, Sueli Carneiro não se envaidece com o primeiro registro e afirma que:

“Não me interessa o lugar da exceção nem o título de ‘primeira’, mas a possibilidade de que esse gesto abra caminhos. Que muitas outras mulheres negras e pessoas negras brasileiras possam também acessar esse direito, não como concessão, mas como parte de um processo de reconhecimento e reparação histórica”, pontua Sueli Carneiro.”
Este é um momento histórico para Sueli Carneiro e para o Brasil. Um momento que é parte de uma política institucional de memória, que documenta trajetórias de mulheres negras, uma representação da responsabilidade ética e política para com elas.

