Um clássico da literatura brasileira, Incidente em Antares (1971), de Érico Veríssimo (1905-1975), ganhou uma versão inédita em quadrinhos. A obra, que mistura elementos fantásticos e zumbis como personagens, evidencia o período da ditadura militar por meio da sátira política e social.
Rafael Scavone (roteiro), Olavo Costa (arte) e Mariane Gusmão (cores) foram os criadores do livro, lançado pelo selo Quadrinhos na Cia em outubro de 2025.
O projeto teve início em 2022 quando Scavone recebeu da editora duas possibilidades de adaptação: Incidente em Antares ou Capitães de Areia, de Jorge Amado. “Incidente foi um dos primeiros títulos adultos que li quando era pequeno, e não entendi nada”, disse o roteirista, que só conseguiu compreender a narrativa anos mais tarde.
Embora o trabalho de transpor 600 páginas para os quadrinhos seja algo bastante complexo e extenso, Scavone manteve-se fiel ao texto, resultando em 184 páginas. Por isso, foi preferível que esse formato se concentrasse na segunda parte do romance – quando uma greve geral impede que os mortos sejam sepultados no cemitério da cidade de Antares.

Já a maior parte visual foi baseada em referências históricas e geográficas, incluindo um mapa que o próprio Érico Veríssimo desenhou à mão para Antares, garantindo maior precisão na localização dos prédios, e fotos antigas de cidades do interior do Rio Grande do Sul.

Essa graphic novel não só homenageia o autor, mas também possibilita que os leitores revisitem a história em outro formato, favorecendo também o contato das novas gerações com a obra de um dos nomes de grande relevância no cenário literário brasileiro do século XX, bem como destaca o escritor Sérgio Rodrigues no posfácio: “os quadrinhos, ao unir o texto escrito e o desenho, ampliam as possibilidades de acesso a histórias complexas para um maior número de leitores”.

Sinopse: Meio-dia, sexta-feira, 13 de dezembro de 1963. Uma assembleia é convocada em Antares, pequena cidade no sul do Brasil. Há uma greve geral, e até mesmo os coveiros estão sem trabalhar, de modo que os cadáveres não podem ser sepultados. À luz do sol, vagando livremente pelas ruas, os mortos-vivos enfim se sentem à vontade para vasculhar a intimidade alheia e falar o que bem entendem, sem receio de repressão das autoridades. Publicado originalmente em 1971, o último romance de Erico Verissimo se tornou uma das obras mais emblemáticas da literatura brasileira. Nesta inédita versão graphic novel, com roteiro de Rafael Scavone, arte de Olavo Costa e cores de Mariane Gusmão, a história de Antares e seus mortos-vivos ganha surpreendentes feições. Somos levados pela imaginação genial de Erico Verissimo de modo tão envolvente, fiel e assombroso que no fim a impressão que dá é que talvez não exista na literatura brasileira um romance mais perfeito para ser desbravado assim: em quadrinhos.
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