A partir deste ano, o vestibular da Fuvest, que seleciona os estudantes da USP, apresenta uma lista de leituras obrigatórias que surpreendeu estudantes e professores: livros escritos por mulheres que nunca haviam sido mencionadas.
O ineditismo não só surpreende quanto assusta pela dificuldade em encontrar vídeos, resumos e outros materiais de apoio, promovendo desta maneira novos debates sobre o cânone literário, a definição dos clássicos e sobre como é possível pensar a literatura e sua importância.
Segundo uma professora de um colégio da zona oeste de São Paulo, os adolescentes gostam muito destes debates e isto não significa que eles estão gostando de todas as obras, o que é muito natural, afinal, algumas obras não são tão fáceis de serem digeridas em determinadas fases da vida.
Apesar da surpresa, a lista, composta apenas por livros escritos por mulheres, foi anunciada pela Fuvest desde novembro de 2023 e será aplicada a partir deste ano (2026-2029).
Assim como os adolescentes, os professores também sentiram dificuldade quando acessaram a lista para o vestibular da Fuvest. Mas como a lista foi disponibilizada com dois anos de antecedência, tiveram tempo para se preparar.
Alguns professores e professoras leram mais de 2 vezes o mesmo livro, a fim de encontrar referências, entender o contexto histórico e destacar as características literárias. O aprofundamento levou professores e professoras a compreenderem a razão para a elaboração de uma lista de livros escritos apenas por mulheres.
Por que ler obras escritas por mulheres é importante?
A lista com os livros para o vestibular 2026 da Fuvest está composta por:
- Opúsculo Humanitário (1853) – Nísia Floresta
- Nebulosas (1872) – Narcisa Amália
- Memórias de Martha (1899) – Julia Lopes de Almeida
- Caminho de pedras (1937) – Rachel de Queiroz
- O Cristo Cigano (1961) – Sophia de Mello Breyner Andresen
- As meninas (1973) – Lygia Fagundes Telles
- Balada de amor ao vento (1990) – Paulina Chiziane
- Canção para ninar menino grande (2018) – Conceição Evaristo
- A visão das plantas (2019) – Djaimilia Pereira de Almeida
Na prática, ler estas obras não muda a forma de estudar, mas como não há muitos materiais disponíveis na internet, obrigam os adolescentes a realizarem a leitura completa e a análise literária, sem atalhos.
Além disso, poderão compreender as desigualdades de gênero, que tornaram o caminho de escritoras ainda mais difícil de ser trilhado e quantas mulheres tiveram suas histórias silenciadas e apagadas.
A lista do vestibular da Fuvest não traz somente a representatividade feminina brasileira, como também autoras de outros países de língua portuguesa, como Angola e Moçambique.

