“Pecadores” (2025): a metáfora do vampiro para tratar da segregação racial negra nos Estados Unidos

Ancestralidade, vampiros e blues são uma combinação improvável para um filme de terror. Mas dessa junção inesperada, o filme Pecadores (2025), de Ryan Coogler, recebeu, simplesmente, 16 indicações ao Oscar, um recorde de indicações dentro cinema internacional. Com Michael B Jordan no papel principal – que também foi indicado ao prêmio de melhor ator — o longa concorre com o nosso representante brasileiro,  Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho. 

Leia também: “Pecadores”(2025) é complexo sem abrir mão da diversão

O filme se passa em 1930, nos Estados Unidos durante o período da segregação racial. Jordan interpreta gêmeos, Fumaça e Fuligem, que, após uma temporada longe de casa, retornam à terra natal para explorar novos negócios. A ideia era abrir um bar de blues e, para isso, os irmãos contam com a ajuda de amigos e um primo. Nem tudo, no entanto, sai como planejado, uma vez que visitas inesperadas insistem em entrar no local.

Imagem: divulgação

Para o crítico de cinema, Lucas Kelly, a proposta é que os vampiros simbolizem a apropriação cultural. Para ele, os inimigos não querem apenas sugar o sangue, mas sim sugar toda a autoridade e talento musical do primo Sammie. Pecadores é uma declaração – dentro e fora das telas – sobre a negritude reivindicando o que é seu e usando o que foi criado por suas mãos para a ferida virar cicatriz,” afirma o jornalista. 

Dos dentes afiados de vampiro e gênero musical oriundo dos campos de algodão, Ryan Coogler metaforiza o racismo estadunidense.

Talvez os vampiros façam parte de uma alegoria que trata de materializar, no filme, o sistema. Uma espécie de perigo que nem sempre está visível, mas está sempre a espreita e pode atacar e destruir a qualquer instante.

E como reza a lenda, vampiros podem sobreviver por muitos anos se apropriando da vida de outras pessoas, como bem fizeram os fazendeiros brancos durante séculos de escravidão, primeiro e, depois, leis de segregação racial. São retratos que se desdobram em poderes que ocultos que se desfazem e que talvez ainda estejam rondando por aí. Em leis que, durante o século XX, encarceraram centenas de milhares de corpos negros indesejados naquilo que chamam de maior democracia do mundo. Vampiros que não param de tomar para si esses corpos negros e hoje, talvez, estejam em seu principal clã, retratada em seu nome perfeito: a Casa Branca. 

O filme está disponível na HBO MAX

Texto supervisionado por Fernanda de Moraes

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1 comentário

Bias Busquet Guimarães 28 de janeiro de 2026 - 17:12
Texto muito bom!
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