Um ensaio existencial em “Brevíssimo itinerário de uma existência absurda”, de Simões e Silva

“Brevíssimo itinerário de uma existência absurda”, escrito por Simões e Silva e publicado pela editora Mondru, segue Jean, um jovem brilhante, mas depressivo, obcecado pela dexistência, um estado de transcendência obtido pela consciência da ausência de propósito. 

A história se estrutura em três partes que narram a trajetória de diversas personagens (incluindo um vírus) em meio a questionamentos, descobertas, perplexidades, escolhas e decepções. O que eles procuram não é necessariamente um sentido, mas uma identidade que, de alguma forma, represente de forma mais coerente o que sentem no íntimo…

Na primeira parte, acompanhamos o mergulho profundo de Jean em sua concepção existencial que denomina “dexistência” (s.f.: “Estado de transcendência de quem ou do que adquire consciência plena da ausência de propósito”). Testemunhas profundamente impactadas por essa vida são Toshio e Maria B.. Três colegas do curso de Direito cujas vidas se entrelaçam e derivam trajetórias distintas.

Leia também: A poesia como inutensílio: as ‘Impressões Poéticas’ de Everton C. R. Conca

A segunda trata da formação de Galeano, filho de Maria B. e Jean. O acaso e o fado moldando as experiências de pessoa sensível e vulnerável. Um capítulo em destaque é a viagem onírica denominada “Baixio do São Roque”, onde o fantástico expõe a crueza do real.

Na terceira, temos uma parábola do existir absurdo em nossos dias. Contradições e perplexidades são expostas sob vários pontos de vista. Diferenças sociais são exploradas, coexistindo a perspectiva de uma manicure, servidor público, líder religioso, dona de casa e intelectuais, todos em meio a uma mesma tensão. Trabalhadores e um vírus (cuja consciência é revelada) expõem suas verdades, explicitando a complexidade do nosso tempo e quão frágil nossa compreensão.

Sobre o autor:

Márcio Luiz Silva, advogado, assina Simões e Silva seus textos literários. Publicou em 2024, pela Caravana Grupo Editorial, a coletânea de contos “O que importa não tem nome”.

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