Jean Wyllys de Matos Santos, conhecido como Jean Wyllys, nasceu em 10 de março de 1974 em Alagoinhas (BA). Jornalista formado pela UFBA, com mestrado em Letras e Linguística, é professor universitário e escritor. Ganhou fama nacional ao vencer o Big Brother Brasil 5 (2005), tornando-se ícone da visibilidade LGBTQIA+; foi eleito deputado federal pelo PSOL-RJ em 2010, reeleito em 2014 e 2018. Exerceu mandatos de 2011 a 2019, quando renunciou por ameaças de morte e passou a viver no exterior; atualmente é doutorando em Ciência Política na Universidade de Barcelona.
“O livro é uma excrescência que não cresce, senão que se adere, pega-se; um companheiro tumoral feito das células corrompidas do aprendizado, da experiência e do pensamento” [Elisabeth Hardwick (1916-2007), em Noches insomnes; tradução livre]
Em suas redes sociais, Jean Wyllys defende causas LGBTQIA+, combate à desinformação e direitos humanos, destacando frequentemente críticas ao extremismo e à censura. E, claro, a gente separou essa lista aqui. Confira:
Notas de um filho nativo, de James Baldwin
Aparentes coincidências têm motivos mais profundos. Eu creio nisto, porque sou dos mistérios. Não me amarra dinheiro, não; mas os mistérios! Minhas duas leituras nestes dias de festas estão conectadas. Comprei, a caminho da Bahia, de minha amiga terra natal, este livro de Baldwin (um dos meus escritores favoritos) que ainda não tinha lido, e que trata de desenraizamento, passado, retorno, pertencimento, enfim, sobre aquele chão em que fomos plantados e do qual temos memória mesmo se arrancados pelas raízes.
Certa vez, li uma entrevista de@gilbertogil em que ele dizia mais ou menos que que tinha raízes era mandioca, apontando para sua abertura a um mundo diferente daquele em que fora plantado. Concordei com ele na ocasião, porque eu também sempre quis o que não sabia que queria. Mas hoje tenho certeza de que até a farinha moída tem alguma saudade do chão em que a mandioca de outrora fora plantada…
De volta ao meu chão, perguntei-me e aos meu irmãos (ainda católicos praticantes) se ainda haveria alguma edição da Bíblia Pastoral (aquela a partir da qual fui catequizado). Disseram-me que sim e que eu a encontraria para comprar numa loja chamada Amor Divino. Alagoinhas não tem mais, estranhamente, uma livraria. Aquela de minha infância – A casa da Revista – fechou há tempos. Temo pelo futuro de qualquer cidade que não tem uma livraria nem um teatro! Bom, mas, no Amor Divino, reencontrei a Bíblia Pastoral. Sua edição é crítica e com notas de rodapé que impedem que o leitor caia no fundamentalismo religioso, tampouco se feche às outras fontes de conhecimento, como a Literatura de Baldwin, por exemplo. O filho nativo reencontrou uma de suas raízes no chão em que fora plantado.
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Ninfa Morta, Marcia Tiburi
Homens (principal e especialmente os heteros cisgênero; principalmente os intelectuais esquerdo-machos), FAÇAM UM FAVOR A SI MESMOS, já que não conseguem fazer favor às mulheres: LEIAM ESTE LIVRO de Marcia Tiburi! Em vez de dar uma flor às mulheres de sua vida no Dia Internacional da Mulher, comprem o livro e LEIAM. Vai ser um grande presente para elas e vai lhes tornar pessoas melhores! Leia escritoras, ouça mulheres intelectuais e cientistas, ouçam com atenção o que as mulheres feministas têm a dizer sobre o passado, o presente e o futuro! Sem elas nada disto existe., disse Jean em suas redes.
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Cancelado, Umut Oezkirimli e Julie Wark
Um livro maravilhoso e necessário neste momento de deriva fascista à direita mas também à esquerda (por parte de setores dos movimentos identitários), que, em breve, estará traduzido em português.
Fonte:
https://x.com/jeanwyllys_real/status/1660357212324208640/photo/
“Contra a caridade, de Julie Wark
Contra a caridade é um manifesto a favor da bondade recíproca, igual e fraterna e, justamente por isso, uma argumentação contra a caridade entendida como uma relação desigual e não recíproca entre quem dá e quem recebe, porque quem recebe não está em condições de retribuir. É também uma denúncia da caridade praticada por instituições e empresas como uma “estafa” à bondade; e um manifesto em defesa de uma renda básica universal e incondicional. Mas, o que a bondade igualitária e fraterna pode ter em comum com uma renda básica universal e incondicional?
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Gênesis: A origem profunda das sociedades, de Edward O. Wilson
Durante eons, as mentes mais brilhantes da humanidade careceram de respostas confirmáveis às perguntas que definem e explicam o significado da existência humana: o que somos e o que nos criou. Em Gênesis, o célebre biólogo Edward O. Wilson examina a história evolutiva e nos oferece uma descrição reveladora dos profundos orígenes da sociedade.
Ao afirmar que as crenças religiosas e as questões filosóficas podem ser reduzidas a componentes puramente genéticos e evolutivos, e que tanto o corpo quanto a mente humanos possuem uma base física que obedece às leis da física e da química, Gênesis demonstra que a única forma que temos de compreender o comportamento humano é estudar as diversas histórias evolutivas das espécies não humanas.
Wilson demonstra que foram observadas pelo menos dezessete (entre elas a rata-toupeira pelada africana e o camarão que deposita seus ovos em uma esponja) que desenvolveram sociedades avançadas baseadas em níveis de altruísmo e cooperação semelhantes aos dos humanos.
Seja escrevendo sobre mosquitos que dançam como acrobatas ou cardumes de anchovas que se aglomeram protetoramente para parecerem um peixe gigantesco, ou propondo que a sociedade humana deve uma dívida de gratidão às avós pós-menopáusicas e aos homossexuais sem filhos, Gênesis é uma obra concisa, porém revolucionária, de teoria evolutiva, entrelaçando a ciência do século XXI com as observações biológicas e humanistas líricas pelas quais Wilson é conhecido.
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