“Menino do vício”: ex-dependente químico compartilha nas redes como os livros ajudaram na sua luta contra as drogas

Na adolescência, Lucas Henrique dos Santos convivia com a depressão e, ao buscar um alívio momentâneo para sua condição, tornou-se dependente químico. No entanto, uma decisão foi essencial: encontrou na literatura não só um refúgio, mas uma motivação para abandonar o vício. “Eu recebia meu dinheiro e pensava apenas em drogas. Mas depois que decidi parar, comecei a investir meu dinheiro em livros até meu corpo acostumar a ficar sem as substâncias”.

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Para demonstrar o seu avanço, resolveu compartilhar a sua jornada, inicialmente no TikTok, para incentivar outras pessoas que enfrentam a mesma situação. Conhecido como Menino do Vício, ele registrou todos os títulos que leu enquanto lidava com a abstinência.

“Viralizei na internet contando minha história e muitas pessoas se inspiraram em mim para enfrentar sua própria batalha contra o vício. Eles me mandam mensagens, doam seus livros para me ajudar a continuar longe das drogas, e já até me chamaram para participar de um clube do livro”, comentou em entrevista.

Antes de 2025, teve duas recaídas – a segunda vez foi a mais severa. As drogas estavam destruindo a saúde, o trabalho e a família. Foi assim que chegou à conclusão de que não queria mais isso para a sua vida. Para se manter afastado das drogas e lidar com a abstinência, retomou o plano inicial: usar seu dinheiro, antes destinado às drogas, para comprar livros e criar conteúdo para ajudar a si mesmo e outras pessoas.

Seu interesse pela leitura ocorreu na escola, quando recebeu de uma professora o primeiro livro da saga Crepúsculo, de Stephenie Meyer. A partir desse momento, adquiriu o hábito da leitura e passou a ter contato com outras obras e outros autores.

Vale lembrar o que a professora e escritora Maria Teresa Andruetto destaca sobre a leitura (no seu livro ‘A leitura, outra revolução’): “Há que alimentar o desejo, atiçar o interesse nascente, incipiente, com um leque de livros de autores, gêneros, épocas e procedências diversas, porque ler é um ato de coragem, é abrir-se ao mundo e sentir-se livre para rejeitar, é buscar palavras de outros para encontrar-se a si mesmo. O que alguém faz quando lê não é entender quem escreveu, e sim compreender um pouco mais a si mesmo e compreender um pouco mais o mundo em que vive.”

Hoje, lendo, aproximadamente, cinco a seis livros por mês, comenta no seu perfil as leituras e os novos títulos que pretende começar: “Cada livro é uma viagem para um mundo diferente. Sem dúvidas, foi o melhor vício da minha vida. O vício do bem”.

Uma de suas estratégias para manter o foco e vencer o bloqueio em começar a leitura de um novo de livro após a imersão numa história, expressão conhecida como “ressaca literária”, é a de alternar os gêneros: “Fico mudando de gêneros para não ficar comparando as leituras recentes. Se eu li um romance gay, que eu gosto muito, eu mudo para um livro de terror. Migro para uma história completamente diferente, para continuar focado”, explicou o criador de conteúdo, que tem como seus gêneros prediletos: romances LGBTQIA, terror e suspense.

Outra estratégia é a escolha por narrativas leves que despertem sua atenção, pois mantém o ritmo constante de leitura: “Não gosto de leituras difíceis. Gosto das mais leves, que vão entrar na minha mente mais rápido e não forçar o que não está indo”.

Entretanto, o que é mais significativo é poder contar com o apoio do público na sua trajetória: “Fico super feliz em falar sobre meus livros e fazer com que as pessoas se interessem pela leitura. Eu faço vídeos bem humorados e eles sempre interagem bastante com comentários e participações em lives. É o que me incentiva a continuar na luta contra as drogas”.

Conheça um pouco mais da sua história no vídeo “As pessoas dos livros”, que apresenta histórias inspiradoras de pessoas que acreditam na literatura como ferramenta de transformação, do Globonews Especial:

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