“Anônimo Não É Nome De Mulher”: espetáculo resgata histórias de mulheres internadas em hospícios por desafiar normas sociais

O Teatro Sérgio Cardoso, espaço da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerido pela Associação Paulista dos Amigos da Arte (APAA), apresenta no dia 22 de agosto, sexta-feira, às 18h, o espetáculo Anônimo Não É Nome De Mulher, da companhia Narrativensaio-AC. A peça resgata histórias reais de mulheres internadas em hospícios por desafiarem normas sociais, revelando as tensões entre submissão e resistência.

O espetáculo Anônimo Não É Nome De Mulher integra a pesquisa de pós-doutoramento de Luisa Pinto na Universidade de São Paulo, em parceria com o departamento de Artes Cênicas da ECA/USP, sob supervisão da professora Elizabeth Silva Lopes, com apoio do Centro de Estudos Arnaldo Araújo (Portugal) e da SP Escola de Teatro. Após apresentações na SP Escola de Teatro em 2023, a montagem amplia seu alcance artístico e formativo, fortalecendo intercâmbios com instituições acadêmicas e artísticas.

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A circulação do espetáculo busca lançar luz sobre a história pouco conhecida de mulheres brasileiras internadas em hospitais psiquiátricos por desafiarem normas sociais, ampliando a compreensão das raízes sociais que ainda marcam o país, que hoje apresenta um dos maiores índices de feminicídio do mundo.

Combinando pesquisa e teatro contemporâneo, a obra aborda direitos humanos, gênero, repressão e violência doméstica, propondo análises críticas e reflexões sociais. Inspirado em obras como Holocausto Brasileiro e Malacarne, além de registros históricos brasileiros, portugueses e italianos, o espetáculo apresenta depoimentos de mulheres encarceradas por não se adequarem às normas sociais, políticas e de gênero. Além da encenação, a proposta inclui debates pós-espetáculo com especialistas, promovendo diálogo entre arte e sociedade.

Sinopse
Anônimo Não É Nome De Mulher parte das histórias de mulheres dadas como loucas e internadas compulsoriamente em regimes opressores. Ambientado no hospício de Santa Teresa, o espetáculo mostra internas e funcionárias lidando com dor, esperança e dilemas morais, enquanto a narrativa questiona se a bondade pode resistir à opressão.

Ficha técnica
Texto: Mariana Correia Pinto
Encenação: António Durães
Assistência de encenação: Joaquim Gama
Interpretação: Luisa Pinto e Maria Quintelas
Composição e interpretação musical: Cristina Bacelar
Espaço cénico: António Durães
Figurinos: Composição coletiva
Luz: Francisco Alves
Fotografia de cena: Paulo Pimenta
Produção local: Creuza Borges

Serviço
Anônimo Não é Nome de Mulher
Data: 22 de agosto, sexta-feira, às 18h
Ingressos: Inteira R$50,00 | Meia-entrada R$25,00 | Antecipados e Grupos R$20,00| Sympla
Duração: 90 minutos
Classificação etária: 10 anos
Local: Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno | Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista, São Paulo/SP
Capacidade: 143 lugares + 6 espaços de cadeirantes
Bilheteria: Aberta nos dias de espetáculos, das 14h até o horário da atração.
Contato bilheteria: (11) 3288-0136

Sobre o Teatro Sérgio Cardoso
Localizado no boêmio bairro paulistano do Bixiga, o Teatro Sérgio Cardoso mantém a tradição e a relevância conquistada em mais de 40 anos de atuação na capital paulista. Palco de espetáculos musicais, dança e peças de teatro, o equipamento é um dos últimos grandes teatros de rua da capital, e foi fundamental nos dois anos de pandemia, quando abriu as portas, a partir de rígidos protocolos de saúde.

Composto por duas salas de espetáculo, quatro dedicadas a ensaios, além de uma sala de captação e transmissão, o Teatro tem capacidade para abrigar 827 pessoas na sala Nydia Licia, 149 na sala Paschoal Carlos Magno, além de apresentações e aulas de dança no hall do teatro.

Sobre a Amigos da Arte
A Associação Paulista dos Amigos da Arte é uma Organização Social de Cultura que trabalha em parceria com o Governo do Estado de São Paulo desde 2004. Música, literatura, dança, teatro, circo e atividades de artes integradas fazem parte da atuação da Amigos da Arte, que tem como objetivo fomentar a produção cultural por meio de festivais, programas continuados e da gestão de equipamentos culturais públicos. Em seus 20 anos de atuação, a Organização desenvolveu mais de 70 mil ações que impactaram mais de 30 milhões de pessoas.

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