Como o equilíbrio entre o caos e a ordem deu forma à arte, à cultura e ao pensamento ocidental? Publicado em 1872, O Nascimento da Tragédia, primeira obra de Friedrich Nietzsche, é uma análise profunda da cultura helênica e das raízes da arte, profundamente influenciada pelo pessimismo filosófico de Arthur Schopenhauer e pela genialidade musical de Richard Wagner, amigo próximo do autor na época.
O livro propõe uma visão revolucionária: a existência do mundo só encontra justificativa como fenômeno estético, explorando as tensões entre o apolíneo (ordem, razão) e o dionisíaco (caos, paixão) na formação da tragédia grega e sua influência nas expressões artísticas da modernidade.
Nietzsche mergulha na cultura helênica para desvendar como essas forças opostas moldaram não apenas a arte, mas o próprio espírito humano, oferecendo uma leitura que transcende o tempo. O Nascimento da Tragédia é essencial para compreender a trajetória intelectual de Nietzsche, um dos pensadores mais marcantes da modernidade, cuja obra foi, por vezes, distorcida após sua morte por sua irmã, Elisabeth Förster-Nietzsche, que manipulou seus escritos para alinhá-los ao nacionalismo e ao nazismo.
Desde o final do século XX, esforços acadêmicos têm restaurado a autenticidade de suas ideias, desvinculando-as de interpretações fascistas. Mais de um século e meio após sua publicação, o livro permanece uma leitura imprescindível para quem busca entender as origens da estética moderna, a crítica à racionalidade excessiva e a metafísica da arte, além de oferecer uma porta de entrada ao universo filosófico nietzschiano, que continua a inspirar e provocar reflexões profundas.
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Quem é Friedrich Nietzsche?
FRIEDRICH NIETZSCHE (1844–1900), filósofo alemão nascido em uma família de pastores protestantes, demonstrou desde cedo genialidade nas artes e nas letras, tornando-se professor universitário aos 24 anos. Estudioso de filologia e influenciado por Schopenhauer e Wagner, produziu obras marcantes como O nascimento da tragédia, Ecce Homo, Além do Bem e do Mal e Assim falou Zaratustra, nas quais desenvolveu ideias como o eterno retorno, o super-homem e a crítica à moral cristã. Após um colapso mental em 1889, viveu seus últimos anos sob os cuidados da irmã Elisabeth, que manipulou e distorceu seu legado a serviço de ideais nacionalistas, associando-o indevidamente ao nazismo. A reavaliação crítica de sua obra só veio décadas depois, com estudos sérios como os de Curt Paul Janz e a edição das obras completas por Colli e Montinari.
Sobre a edição da L&PM
Esta edição se destaca não apenas por sua relevância filosófica, mas também por trazer a tradução direta do alemão por Renato Zwick, preservando a essência do texto original, e incluir o ensaio de autocrítica de 1886, no qual Nietzsche, com maior maturidade, reflete criticamente sobre sua obra de juventude. Esse acréscimo oferece uma perspectiva única sobre a evolução do pensamento do autor.