O pastor Silas Malafaia abandona cinema aos gritos durante documentário sobre evangélicos na política. O documentário em questão é Apocalipse nos Trópicos, dirigido por Petra Costa.
Irritado por aparecer diversas vezes durante a exibição, o pastor abandonou o cinema aos gritos, deixando claro sua insatisfação com a produção cinematográfica.
Ao longo da sua trajetória, Silas Malafaia já apoiou diversos políticos até firmar, por fim, parceria com Jair Bolsonaro, revelando sua face agressiva ao lutar pelos seus próprios interesses.
Apocalipse nos Trópicos: motivo da irritação de Silas Malafaia
Apocalipse nos Trópicos é o documentário que causou a irritação no pastor Silas Malafaia, e estreou mundialmente na Netflix em 14 de julho. A produção é da cineasta Petra Costa, que já havia chegado às telas com o documentário Democracia em Vertigem (2019).
O documentário trata do avanço de grupos evangélicos, bem como da ascensão de lideranças evangélicas fundamentalistas na política brasileira nos últimos anos. Silas Malafaia é um dos nomes que se destaca, influenciando o voto de seus seguidores com seu discurso religioso.
Além disso, o documentário faz um resgate do surgimento da religião no país e o papel fundamental dos Estados Unidos nesse processo iniciado durante a ditadura militar no Brasil, entre os anos de 1964 e 1985.
Após a realização de uma pesquisa, Petra Costa afirma ter descoberto a existência de um lobby estadunidense chamado The Family, que enviou missionários ao Congresso Brasileiro para “evangelizar congressistas, desde os anos 60 até o fim da ditadura militar”.
Em uma entrevista ao Brasil de Fato, Costa afirma que:
“Em 2022, 70% dos evangélicos votaram no [ex-presidente Jair] Bolsonaro. Esse foi um número maior que qualquer outro segmento da população. Então [existe] essa força da união e da determinação, mesmo que os números não cresçam.”
A cineasta faz o contraponto com os Estados Unidos que conseguiu eleger os presidentes Ronald Regan e Donald Trump com votos de evangélicos, sendo que lá, esta parte da população é equivalente a 30%, e ainda assim, possuem força suficiente para eleger um presidente.
Com esta produção, Petra Costa nos alerta não somente sobre o crescimento da população evangélica no país, mas principalmente, como a influência de lideranças religiosas podem comprometer o estado democrático de direito.