Imagine que você é uma assombração. Você está vagando por uma casa vazia e, por algum tempo, você assombra o nada, apenas existe, invisível, entre as paredes vazias. Assim começa o filme “Presença”, dirigido por Steven Soderbergh e escrito por David Koepp.
A originalidade tanto do roteiro quanto da filmagem está no ponto de vista: em geral, nos filmes de terror, temos o ponto de vista de uma família que se muda para uma casa assombrada e começa a estranhar ocorrências peculiares, na maioria das vezes que ameaçam sua segurança. Já em “Presença”, o telespectador acompanha, junto com o fantasma, a chegada da família.
Os movimentos da câmera demonstram como o espírito segue cada um dos membros da família em determinados momentos, tomando atitudes que às vezes demonstram sua presença, mas sem oferecer qualquer perigo, como costuma acontecer na maioria dos filmes de assombração. A entidade ajuda a organizar objetos e até mesmo interfere em ações dentro da casa família de modo a salvar uma vida.
A mãe da família, Rebekah, é interpretada por Lucy Liu, em um papel que consegue deixar o telespectador com raiva, pois é uma mulher fria, cujo foco é apenas seu trabalho e o filho mais velho, Tyler, enquanto ignora completamente que sua filha mais nova, Chloe, sofre em luto pela morte recente da melhor amiga.
O pai da família, interpretado por Chris Sullivan, é mais afetuoso e tenta cuidar da filha, propondo a Rebekah que buscassem um tratamento com psicólogo para a adolescente, mas Rebekah é irredutível e se recusa a ouvi-lo, afirmando que apenas o tempo deverá curar Chloe.
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Os conflitos da família escalam quando Chloe começa a falar que sente uma presença na casa, o que causa fortes embates entre ela e o irmão, Tyler, cético quanto a eventos sobrenaturais.
Uma cruel reviravolta de eventos ocorre envolvendo os dois irmãos e um amigo de Tyler, que visita a casa a enquanto os pais estão fora. A presença acompanha tudo, interferindo sempre em momentos chave, como um telespectador invisível a gritar para os personagens que façam alguma coisa para salvarem uns aos outros.
A origem do fantasma é questionada, mas nunca confirmada até porque a presença já estava na casa antes da chegada da família, como podemos ver na cena introdutória. No entanto, o que importa mais na narrativa não é uma explicação do que acontece, de onde vem o fantasma, mas sim a dinâmica original de uma história de horror contada pela perspectiva de um fantasma. Uma obra definitivamente inovadora e surpreendente.
Assista abaixo o trailer e se prepare para essa experiência cinematográfica: