“Um Tal Guimarães”: espetáculo reencena Guimarães Rosa como personagem de si próprio

Na peça Um tal Guimarães, dirigida pelo ator global Renan Monteiro, Vitor Peres interpreta, canta e cozinha em cena para aproximar a plateia do escritor e de sua terra natal, Minas Gerais.

E se Guimarães Rosa fosse um personagem inventado por ele mesmo? A partir dessa pergunta, a peça Um Tal Guimarães constrói um universo poético-ficcional em que Guimarães Rosa se vê mergulhado ao lado de algumas de suas criações que buscam se vingar do autor por terem sido criadas tal como foram.

Personagens estes que também se misturam com as memórias familiares do idealizador e ator da peça, Vitor Peres, em uma cidade do interior de Minas Gerais. A peça conta com patrocínio do Governo do Estado do Rio de Janeiro e Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, através do Edital Retomada Cultural RJ 2.

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“A ideia da peça nasceu há 20 anos. Tinha acabado de me mudar do interior de Minas e perdido meu avô, um senhor simples criado na roça que mal sabia ler, mas gostava de contar as histórias de suas andanças pela zona rural de Minas Gerais. Quando me deparei com a obra de Guimarães Rosa, enxerguei nas falas dos personagens algumas expressões e melodias usadas por meu avô. Me apaixonei por aquele universo que ia além do regionalismo”, conta Vitor Peres.

Vitor, inclusive, interpreta personagens inspirados em grandes obras do escritor Guimarães Rosa, como os contos A Terceira Margem do Rio e As Margens da Alegria, do livro Primeiras Estórias, e a novela Dão-Lalalão, publicada no livro Noites do Sertão. O cheiro de broa quentinha saindo do forno, preparada pelo próprio ator em cena, móveis pertencentes à casa da avó de Vitor e outros detalhes pensados por ele e pelo diretor Renan Monteiro dão ao espetáculo uma atmosfera intimista.

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“A peça traz um olhar afetivo e de resgate às origens mineiras de Guimarães Rosa e do próprio ator. Nosso trabalho de pesquisa foi intenso, fruto de muitas viagens, para levar ao público uma imersão emocionante em tantos personagens do escritor, que poderiam ser eu, você ou qualquer outra pessoa que cruzasse o seu caminho”, conta Renan, que em breve estará no Multishow e Globoplay ao lado de Bruno Mazzeo na última temporada de Cilada e está cotado para viver o compositor Carlos Gomes em “O Selvagem da Ópera”, na TV Globo.

O diretor, criado no Vidigal e desde os 7 anos no teatro, reforça que a peça tem o papel de democratizar o acesso à cultura, despertando a curiosidade das pessoas acerca da vida e obra de Guimarães Rosa. Para isso, a escolha para a estreia de “Um tal Guimarães” foi o Bar Teatro Caiçara, na Ilha da Gigoia, onde nasceu a produtora Trupe do Mangue, criada pelo ator Vitor Peres para gerar impacto social por meio do teatro.

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“Acredito na retomada das companhias teatrais e no poder do teatro como ferramenta de fomento social e cultural. Nossa ideia é levar, depois, a peça para as salas de teatro do Rio e, claro, para Minas Gerais”, finaliza Renan, o Matias da novela Novo Mundo.

SERVIÇO:
UM TAL GUIMARÃES
APRESENTAÇÕES GRATUITAS: 8, 9 e 10 de fevereiro de 2023
HORÁRIO: 19h30
LOCAL: Bar Teatro Caiçara, Ilha da Gigoia
Gratuita – Classificação livre

Ficha técnica:

Texto – Luiz Antonio Ribeiro

Direção – Renan Monteiro

Atuação – Vitor Peres

Direção Musical – Mari Blue

Iluminação – Thiago D’ávila

Cenografia e figurino – Gustavo Fernandes

Direção de Movimento e Preparação Corporal – Daniel Leuback

Supervisão de Formas animadas – Márcio Nascimento

Designer – Igor Ribeiro

Preparação Vocal – Dora Tóia

Preparação Rítmica  – Aender Reis

Fotografia – José Peres

Vídeo – Luan Baptista

Operação de Luz – Thiago D’ ávila

Operação de Som – Roberta Chaves

Assessoria de Imprensa – Isabella de Paula

Montagem Técnica de Vôo – Daniel Elias

Tradutoras de LIBRAS – Thamires Alves e Andreia Oliveira (Barra Mansa)

Cenotécnico – Derô Martins

Direção de Produção – Vitor Peres

Produção Executiva – Roberta Chaves Interpretação Multimídia

Produtor Local (Barra Mansa) – Danilo Calegari

Realização: Trupe do Mangue

Idealização – Vitor Peres.


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