Fernando Haddad indica 10 livros que todo mundo deveria ler!

Intelectuais costumam se interessar por política, o que faz com que o mundo dos livros se misture muitas vezes com o próprio fazer de transformação da sociedade. Este é o caso de Fernando Haddad, ex-prefeito de São de Paulo e candidato do PT à presidência da República em 2018. Haddad é um grande amante dos livros e indicou 10 livros que todo mundo deveria ler. Uma das indicações foi feita pela Editora Lavoura e outra no em entrevista ao HuffPost Brasil, na ocasião que tentava a reeleição como prefeito de São Paulo.

O NotaTerapia separou 10 livros que Fernando Haddad indica e todo mundo deveria ler!

Poemas, de Vladimir Maiakovski

Capa de Poemas, do poeta russo Vladimir Maiakovski. Editora Perspectiva.

“Um dos principais nomes da literatura ligados à Revolução Russa, Maiakóvski representou o melhor da vanguarda libertária e experimental. O poeta cubofuturista, que chegou a ser visto com desconfiança depois que o regime brutal de Stálin o fez herói, nunca foi um homem de se conformar. Espírito irrequieto e aguerrido, para além de sua pregação revolucionária da primeira fase da revolução, encontramos um artífice talentoso da linguagem, com seus fúlgidos poemas de amor, sua rebeldia selvagem, o uso da linguagem coloquial e experiências radicais de poesia visual”.

O Processo, de Franz Kafka

O Processo, escrito pelo tcheco Franz Kafka. Companhia Das Letras.

“A história de Josef K. atravessa os anos sem perder nada do seu vigor. Ao contrário, a banalização da violência irracional no século XX acrescentou a ela o fascínio dos romances realistas. Na sua luta para descobrir por que o acusam, por quem é acusado e que lei ampara a acusação, K. defronta permanentemente com a impossibilidade de escolher um caminho que lhe pareça sensato ou lógico, pois o processo de que é vítima segue leis próprias: as leis do arbítrio”.

Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis

Na obra, o finado Brás Cubas decide contar sua história por uma ótica bastante inusitada: em vez de começar pelo seu nascimento, sua narrativa inicia-se pelo óbito. Enquanto rememora as experiências que vivera, entre uma digressão e outra, o defunto-autor tece uma série de reflexões sobre a vida e sobre a sociedade da época, com serenidade e bom-humor, e o leitor se surpreenderá ao constatar a atualidade de suas observações. 

Sobre o livro, Haddad disse:

É dos tempos de colegial meu primeiro contato com um autor que me marcou tanto, a ponto de até hoje relê-lo. Falo de Machado de Assis, particularmente do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, que, para mim, é seu melhor. Voltei a Memórias póstumas recentemente com minha filha, nas férias de janeiro. Um livro desnorteante, até mesmo pela época em que foi escrito.

Notável como alguém teve, digamos, a ousadia de apresentar um livro naquele formato. A maior memória que tenho desse texto é o espanto do primeiro parágrafo (“Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte…”). Foi tão significativo, que eu duvidei que o autor pudesse sustentar aquela altitude até o final do livro, e não parei de ler esperando um momento de vacilo, que não aconteceu. Fui tomado por uma certa perplexidade com a ironia fina, do título ao último parágrafo, e com o que ela significava.

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Leia também: Presidente Lula indica 7 livros que todo mundo deveria conhecer (e ler)!

História Geral da África

Durante muito tempo, mitos e preconceitos de toda espécie esconderam do mundo a real história da África. As sociedades africanas passavam por sociedades que não podiam ter história. Apesar de importantes trabalhos efetuados desde as primeiras décadas do século XX por pioneiros como Leo Frobenius, Maurice Delafosse e Arturo Labriola, um grande número de especialistas não africanos, ligados a certos postulados, sustentavam que essas sociedades não podiam ser objeto de um estudo científico, notadamente por falta de fontes e documentos escritos.

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A revolução dos bichos, de George Orwell

Revolução dos Bichos, de George Orwell, se passa numa granja liderada, inicialmente, pelo Sr. Jones. Porém, insatisfeitos com a dominação e exploração e liderados pelo Porco Major, os animais decidem fazer uma revolução. Assim, o inimigo seria aquele que anda sobre duas pernas. Sobre o livro, Haddad disse:

Embora pudesse citar 1984, gostei e ainda gosto mais de A revolução dos bichos. Na época em que o li pela primeira vez, cursava o mestrado e já era um crítico do sistema soviético. Nesse sentido, o livro me cativou de pronto, em função da representação do comportamento falacioso de uma parte daqueles que anunciavam um mundo novo, mas de fato estavam em buscam de vantagens bastante palpáveis, por assim dizer.

Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez

Cem Anos de Solidão é uma obra do escritor colombiano Gabriel García Márquez, Prêmio Nobel da Literatura em 1982, e é atualmente considerada uma das obras mais importantes da literatura latino-americana. Essa obra tem a peculiaridade de ser umas das mais lidas e traduzidas de todo o mundo. Sobre o livro Haddad disse:

Um tremendo livro. Aquele círculo, aquela espiral de repetição… uma história que não sai do lugar, embora esteja permanentemente se mexendo, como se fosse um mal que infinitamente se repete, no nome dos personagens, nos eventos trágicos. Eu acredito que o fenômeno latino-americano foi maravilhosamente representado nesse livro.

Ficções, de Jorge Luis Borges

Ficções é uma coleção de contos do escritor argentino Jorge Luis Borges, considerado pela crítica especializada uma das obras-primas da literatura latino-americana do século XX. Esta obra obteve em 1961 o Prémio Internacional de Literatura, atribuído por editores de França, EUA, Inglaterra, Alemanha, Itália e Espanha. Sobre o livro, Haddad disse:

Borges é um dos meus escritores prediletos. Sou apaixonado pelos contos, particularmente. É uma literatura bem diferente daquela de García Márquez, de tal modo que não sei se é possível classificá-lo como um autor latino-americano, como se costuma fazer, porque talvez ele seja muito mais um autor universal.

Me fascina sua erudição, sua capacidade de mobilizar saberes atemporais para retratar situações modernas – Borges podia citar de Spinoza até um filósofo grego para falar de uma angústia contemporânea. Lembro de ler “A Biblioteca de Babel” em voz alta para o meu filho, em Brasília, porque fiquei alucinado com esse conto em específico, e precisava mostrar aquilo de qualquer jeito. Tenho bastante coisa de Borges em casa, porque todos sabem que gosto e acabam me dando de presente.

Budapeste, de Chico Buarque

. Narrado em primeira pessoa, combinando alta densidade narrativa com um senso de humor muito particular, Budapeste é a história de um homem exaurido por seu próprio talento, que se vê emparedado entre duas cidades, duas mulheres, dois livros, duas línguas e uma série de outros pares simétricos que conferem ao texto o caráter de espelhamento que permeia todo o romance, e que levaram o professor José Miguel Wisnik a afirmar que se trata de “um romance do duplo”. 

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Leite derramado, de Chico Buarque

Um homem muito velho está num leito de hospital. Membro de uma tradicional família brasileira, ele desfia, num monólogo dirigido à filha, às enfermeiras e a quem quiser ouvir, a história de sua linhagem desde os ancestrais portugueses, passando por um barão do Império, um senador da Primeira República, até o tataraneto, garotão do Rio de Janeiro atual. A fala desarticulada do ancião cria dúvidas e suspenses que prendem o leitor.  Sobre o livro, Haddad disse:

Pensando em autores contemporâneos, os últimos livros que li com mais interesse foram esses dois do Chico. E cito esses porque, na minha visão, Budapeste tem algo de Borges, e Leite derramado tem um quê de García Márquez e de Machado de Assis. As referências talvez sejam um pouco remotas, mas de alguma forma eu as notei, o que fez com que eu me apegasse bastante a eles.

O terceiro excluído: Contribuição para uma antropologia dialética, de Fernando Haddad

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A teoria universalista de Chomsky afirma que é possível nos entendermos independentemente da cultura em que estejamos inseridos. O que explica então o atual surto de incomunicabilidade, em que não parece haver denominador comum para o debate público? O que nos impede de construir um futuro melhor para todos, com menos carências materiais e espirituais?

Neste estudo denso e provocador, Haddad apresenta uma nova contribuição para as teorias da emancipação humana, a partir da qual pode emergir uma abrangente linha de ação política.

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E aí, gostou da lista de livros que Fernando Haddad indica?

Fonte:
https://cartolacultural.wordpress.com/2018/09/16/livros-indicados-pelos-presidenciaveis/
https://oglobo.globo.com/epoca/o-que-os-gostos-de-haddad-nos-dizem-sobre-ele-23179288
http://revistalavoura.com.br/os-livros-de-fernando-haddad/

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