Os 10 melhores poemas de William Shakespeare

William Shakespeare (batizado em 26 de abril de 1564 – falecido em 23 de abril de 1616) é talvez o maior escritor em qualquer idioma. Sua poesia não é apenas um dos exemplos mais exaltados do que um senso imortal de identidade criativa pode realizar, mas é, em certo sentido, uma espécie de símbolo da imortalidade do artista e da própria ideia de atemporalidade. Que tal conhecer os melhores poemas de William Shakespeare?

Assim, o site Classical Poets separou os 10 maiores sonetos de Shakespeare. A ideia é a de selecionar aqueles que nos dão um vislumbre do talento, de significado tecida através da série de sonetos como um todo; significa selecionar aqueles sonetos que capturam as profundezas da visão de Shakespeare sobre a natureza do homem. Significa também considerar o que muitas vezes é ignorado pelas leituras mais “populares” ou acadêmicas de Shakespeare.

Leia os melhores poemas de Shakespeare aqui:

Soneto 1

Em tudo o que há mais belo, a rosa da beleza
Se nos impõe, gerando o anseio de aumentá-la,
E, entre os seres mortais, a própria natureza
Ao herdeiro confere o dom de eternizá-la

Mas tu, assim concentrado em teu olhar brilhante,
Sem o alento de outra alma, a que a tua dê abrigo,
Cheio de amor, negando amor a todo instante,
De ti mesmo e do teu encanto és inimigo.

Tu, agora, esplendoroso ornamento do mundo
E arauto singular de alegre primavera,
Tu, botão, dentro em ti sepultas, infecundo,

Teu gozo e te destróis, poupando o que exubera.
Faze prole, ou, glutão, em ti e na sepultura,
Virá a tragar o mundo a tua formosura.

(Tradução de Jerônimo Aquino)

Soneto 130


Os olhos de minha amada não são como o sol;
Seus lábios são menos rubros que o coral;
Se a neve é branca, seus seios são escuros;
Se os cabelos são de ouro, negros fios cobrem-lhe a cabeça.

Já vi rosas adamascadas, vermelhas e brancas,
Mas jamais vi essas cores em seu rosto;
E alguns perfumes me dão mais prazer
Do que o hálito da minha amada.

Amo-a quando ela fala, embora eu bem saiba
Que a música tenha um som muito mais agradável.
Confesso nunca ter visto uma deusa passar –

Minha senhora, quando caminha, pisa no chão.
Mesmo assim, eu juro, minha amada é tão rara
Que torna falsa toda e qualquer comparação.

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Soneto 17

Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.

Ás vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.

Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:

Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farão viver.

Soneto 116

De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera
Ou se vacila ao mínimo temor.

Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante
Cujo valor se ignora, lá na altura.

Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,

Antes se afirma, para a eternidade.
Se isto é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou

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Soneto 129


O desgaste do espírito quando se envergonha
É obra da luxúria; e, até a ação, a luxúria
É perjura, assassina, sanguinária, culpada,
Selvagem, extrema, rude, cruel, desleal,

Logo desfrutada, porém, em seguida, desprezada,
Perdida a razão, e logo esquecida,
Odiada razão, como isca lançada
De propósito para enlouquecer a presa;
Insano ao ser perseguido, e possuído;

Tido, tendo, e quase ao ter, extremo;
Felicidade ao provar, e uma vez provado, a tristeza;
Antes, uma ansiada alegria; por trás, um sonho;

O mundo bem sabe, embora ninguém se lembre
De descartar o céu que a este inferno os conduz.

Soneto 55

Nem o mármore nem os monumentos luxuosos
Dos príncipes farão reviver este poderoso verso,
Mas brilharás ainda mais neste poema
Do que a intocada gema envolta pela névoa do tempo.

Quando a guerra inútil destruir todas as estátuas,
E as disputas surgirem no trabalho diligente,
Nem deixarão de Marte a espada, nem do embate arder
O fogo fátuo o límpido registro de tua memória.

Avançarás contra a morte e toda a hostilidade obliterada;
Teu ânimo ainda encontrará lugar
Mesmo aos olhos da posteridade,

Que carrega este mundo ao seu cataclismo.
Então, até o julgamento que tu mesmo fazes,
Aqui vives e permaneces nos olhos de teus amores.

Soneto 18

“Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.

Ás vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.

Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:

Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farão viver.”  

Soneto 59

Se nada é novo, e o que hoje existe
Sempre foi, por falha a nossa mente
E, se esforçando por criar, insiste,
Parindo o mesmo filho novamente!

Que do passado houvesse uma mensagem,
Já com mais de quinhentas translações,
Mostrando em livro antigo a sua imagem
Quando a escrita mal tinha convenções!

Para eu ver o que então diria o mundo
Da maravilha dessa sua forma;
Se nós ou eles vamos mais ao fundo,

Ou se a revolução nada reforma.
Estou certo que os sábios do passado
A alvo pior tenham louvado.

Soneto 60

Como as ondas se arremessam contra as pedras,
Aproximam-se os minutos de seu fim;
Cada um ocupando o mesmo espaço,
Num incansável e destemido movimento.

Do nascimento, após vir à luz,
Engatinhamos até a maturidade, e somos coroados,
Vencendo estranhos eclipses perante sua glória,
E o Tempo, dado, que hoje nos lega seu presente.

Os dias firmam seu passo na juventude,
E cavam suas sendas sobre a fronte da beleza;
Alimentam-se da raridade da verdade da natureza,

Mas nada impede o firme corte de sua foice.
Porém, às vezes, espero que meu verso prevaleça,
Elevando teu valor, apesar de seu cruel desmando.

Soneto 65

Se nem o bronze, a pedra, a terra, o mar infinito,
Senão a triste mortalidade que supera o seu poder,
Como pode a beleza defender-se diante da fúria,
Cuja ação não é mais firme que uma flor?

Como pode a cálida aragem de estio superar
O desastroso ataque dos exaustivos dias,
Quando sólidas montanhas não são indevassáveis,
Nem portões de aço poupam o tempo da ruína?

Ó temível pensamento! Onde se esconderá
A joia mais magnífica do gélido abraço do tempo?
Ou que mão poderosa deterá seus ágeis pés,

Ou quem proibirá a destruição de sua beleza?
Ah, ninguém, a menos que um milagre aconteça:
Que esta negra tinta possa resplandecer o meu amor.



Via Classical Poets
https://shakespearebrasileiro.org/
https://williamshakespearewilliam.blogspot.com/2008/03/soneto-17-william-shakespeare.html
https://www.gilbertogodoy.com.br/ler-post/soneto-xviii—william-shakespeare
https://radio93.com.br/amovoce/soneto-116-william-shakespeare/

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“Julius Caesar – Vidas Paralelas”: Cia dos Atores completa 35 anos com clássico de William Shakespeare - JornalNota 2 de maio de 2023 - 16:18
[…] dramaturgia e direção de Gustavo Gasparani, a montagem parte da tragédia “Júlio César”, de William Shakespeare, para abordar as intrincadas relações de poder que perpassam a trama original, mas aqui inseridas […]
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