Tânia Maria, de “O Agente Secreto”, é escolhida melhor atriz coadjuvante pela Associação de Críticos de Santiago

A atriz brasileira Tânia Maria, de 78 anos, foi premiada como melhor atriz coadjuvante pela Associação de Críticos de Santiago (Círculo de Críticos de Santiago, CCS), de Compostela, na Espanha. O reconhecimento veio por sua interpretação de Dona Sebastiana no filme “O Agente Secreto” (2025), dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura.

No longa, ambientado no Recife durante a ditadura militar, Dona Sebastiana é a proprietária de um edifício que serve como refúgio para pessoas perseguidas pelas autoridades.

Foto: rep/ instagram

A personagem acolhe o protagonista (interpretado por Moura), oferecendo abrigo e proteção em meio às ameaças do período. A performance de Tânia Maria destacou-se pela naturalidade, força e autenticidade, contribuindo para o sucesso do filme, que também levou os prêmios de melhor roteiro (para Kleber Mendonça Filho) e melhor ator (para Wagner Moura) na mesma premiação espanhola.

Em entrevista à BBC News Brasil, Tânia Maria comentou sobre sua entrada tardia no cinema: “Nunca imaginei ser atriz. Nunca”.

Ela também destacou a personagem como uma extensão de si mesma: “Sou eu mesma. Quem passa na minha frente, eu acolho. Se precisar de ajuda, eu ajudo. Se precisar de uns cascudinhos, também dou”.

Leia também: Com ‘O Agente Secreto’, cinema brasileiro sobre a ditadura fica mais instigante a cada ano

Natural de Parelhas, no Rio Grande do Norte, Tânia Maria é artesã e costureira de formação. Ela estreou no cinema aos 72 anos, como figurante em “Bacurau” (2019), também de Kleber Mendonça Filho. O diretor escreveu o papel de Dona Sebastiana especialmente para ela, valorizando sua presença magnética e autenticidade. Sem treinamento formal em teatro, a atriz já acumula participações em seis filmes e tem sido citada em listas internacionais como possível candidata ao Oscar de melhor atriz coadjuvante em 2026.

“O Agente Secreto” segue em ascensão na temporada de premiações, após vitórias no Globo de Ouro (melhor ator para Moura e melhor filme em língua não inglesa) e outras associações de críticos. O prêmio no Chile reforça o impacto da produção brasileira no circuito internacional e destaca trajetórias improváveis no cinema nacional.

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