A eleição de Ana Maria Gonçalves como a primeira mulher negra a integrar a Academia Brasileira de Letras (ABL) no último dia 10 de julho não apenas marcou um marco histórico para a literatura brasileira, mas também impulsionou as vendas de sua obra-prima, Um Defeito de Cor.
Em menos de 24 horas após o anúncio, o romance vendeu cerca de 2.000 exemplares, número equivalente a uma tiragem inteira de um lançamento literário modesto no mercado brasileiro atual, segundo a Folha de S.Paulo.
A conquista da autora mineira, que ocupará a cadeira número 33 da ABL, tem gerado celebração e um renovado interesse por sua narrativa poderosa, que resgata a história do Brasil sob a perspectiva de uma mulher negra.
Do que fala “Um defeito de cor”?
Publicado em 2006 pela editora Record, Um Defeito de Cor é um romance histórico de 952 páginas que narra a saga de Kehinde, uma menina africana capturada no Reino do Daomé (atual Benin) aos oito anos e trazida como escravizada para a Ilha de Itaparica, na Bahia.
Inspirada na figura histórica de Luísa Mahin, líder da Revolta dos Malês, a obra acompanha a jornada de Kehinde em busca de seu filho, atravessando o século XIX e abordando temas como escravidão, racismo, ancestralidade e resistência.
Escrito como uma longa carta de uma mãe ao filho, o romance combina rigor histórico com uma narrativa envolvente, sendo considerado um clássico contemporâneo da literatura brasileira. Vencedor do Prêmio Casa de las Américas em 2007 e eleito o melhor livro brasileiro do século XXI por um júri da Folha de S.Paulo, o livro ganhou nova projeção em 2024 ao inspirar o samba-enredo da escola de samba Portela, que conquistou o Estandarte de Ouro e a quarta colocação no Carnaval carioca.
Até hoje, a obra já vendeu mais de 180.000 cópias e está em sua 46ª edição, com uma versão de luxo lançada em 2022, acompanhada de um conto afrofuturista inédito, “Ancestars”, e ilustrações da artista plástica Rosana Paulino.
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Quem é Ana Maria Gonçalves?
Nascida em 13 de novembro de 1970, em Ibiá, Minas Gerais, Ana Maria Gonçalves, de 55 anos, é uma das vozes mais potentes da literatura brasileira contemporânea. Antes de se dedicar à escrita, trabalhou como professora de inglês e publicitária em São Paulo. Em 2002, decidiu abandonar a carreira na publicidade e se mudou para a Ilha de Itaparica, na Bahia, onde escreveu seu primeiro romance, Ao Lado e à Margem do que Sentes por Mim, publicado de forma independente e esgotado por meio de divulgação online. O sucesso veio com Um Defeito de Cor, resultado de cinco anos de trabalho, incluindo dois anos de pesquisa, um de escrita e dois de reescrita, totalizando 19 versões.