Escritora palestina relata genocídio em Gaza: “Realidade é infinitamente pior do que as imagens”

Susan Abulhawa, autora palestina que deixou o território de Gaza, descreve cenário de devastação extrema e desumanização; “mesmo em Rafah, situação é insustentável

“Além dos corpos despedaçados e das pessoas enterradas vivas sob escombros, há uma degradação massiva diária da vida”, alertou a escritora e ativista palestina Susan Abulhawa em um relato divulgado em suas redes sociais. Segundo ela, a realidade em Gaza é “infinitamente pior” do que os vídeos e fotos que circulam no Ocidente através de imagens reproduzidas.

Em meio a relatos de bombardeios contínuos e falta de recursos básicos, Abulhawa descreve o colapso de uma sociedade outrora funcional: “É a desintegração total de um povo reduzido a lutar por água e farinha para sobreviver mais um dia”. A situação, segundo ela, se estende até mesmo a Rafah, cidade no sul de Gaza onde civis se aglomeram em busca de refúgio.

O depoimento da escritora chega em meio a denúncias internacionais de violações de direitos humanos e uma crise humanitária sem precedentes no território.

Leia também: Omar Hamad, poeta palestino de Gaza, comemora aniversário ao lado de seus livros em meio ao genocídio

Em outubro de 2024, ela já havia ido até Gaza e compartilhado sua experiência que, segundo ela, poderia ser comparada a um Holocausto: “Israel está cometendo o holocausto da nossa época, e está fazendo isto diante da vista do mundo, aparentemente indiferente.

Segundo a autora, “Gaza tem sido descrita corretamente como ‘um cemitério para crianças’, mas Gaza também será o cemitério da hegemonia ocidental, junto com os slogans e instituições que a sustentam – do mito da assim chamada “lei internacional” até o Comitê Olímpico que permitiu membros de um exército genocida e de um Estado de apartheid competirem, enquanto tolerava a proibição da França do uso do hijab por pioneiras mulheres muçulmanas.

Quem é Susan Abulhawa?

Susan Abulhawa é uma jornalista, intelectual e ativista palestino-americana de direitos humanos. Autora de vários livros, é fundadora da organização não-governamental Playgrounds para a Palestina. No Brasil, ela possui dois livros publicados; O azul entre o céu e a água e A Cicatriz de David.

Related posts

Presos do DF recebem mais de 7 mil livros para reduzir pena com leitura. Bolsonaro continua recusando ler qualquer um deles

“O Agente Secreto” alcança o Top 2 mundial entre filmes de língua não inglesa na Netflix, com 3,8 milhões de visualizações

Aos 88 anos, Martinho da Vila anuncia “aposentadoria” dos palcos com última turnê ao lado de sua filha Mart’nália