10 músicas que mostram que Marília Mendonça usava as palavras como uma poeta

A cantora sofreu um acidente aéreo fatal quando viajava para Caratinga, Minas Gerais, para um show.

A repercussão da morte da cantora e compositora Marília Mendonça num trágico acidente de avião reforça o tamanho dessa artista que se tornou um símbolo do seu tempo.

Conhecida como a “Rainha da Sofrência”, Marília Mendonça revolucionou a cena da música sertaneja no país. Ainda muito jovem, aos 21 anos, foi uma das responsáveis pela explosão de artistas sertanejas mulheres que, num contexto dominado por homens, chamou a atenção para temas que não apareciam nesse gênero musical.

A artista começou a compor muito cedo. Seu talento para identificar formas e temas de sucesso foi o que resultou em mais de 320 composições autorais e quase 400 gravações solo e em parcerias diversas.

O fenômeno Marília Mendonça não se deu por acaso, mas pelo talento de uma jovem que soube usar as palavras para falar de experiências compartilhadas por muitas pessoas.

Dor, sofrimento, amor, superação. Todo mundo se identifica com alguma das músicas de Marília Mendonça, que abordam as dificuldades dos relacionamentos amorosos, a força da amizade e a potência das mulheres.

O uso divertido e inusitado das palavras, a sinceridade com que compunha suas reflexões e sua perspicácia fizeram de Marília Mendonça uma poeta. Selecionamos 10 músicas da já saudosa artista mostram como ela soube usar as palavras para traduzir sentimentos e experiências de tantas pessoas.

1- Até Você Voltar

Muitas músicas de Marília Mendonça falam sobre separações e desilusões amorosas, tema caro ao gênero sertanejo e que, através dela, ganhou novos tons.

Aqui sentado nessa mesa
Só o copo de cerveja é minha companhia
E essa casa está tão cheia
E parece vazia sem você comigo

E hoje está fazendo um ano
Aqui no meu calendário ainda está marcando
O dia e o mês, foi a primeira vez
E o que me prometeu, será que se esqueceu

De todos nossos planos, nossos filhos, nosso apartamento
Da nossa lua de mel, do nosso casamento
Como pude acreditar nesse seu juramento?
E agora estou sozinho outra vez

2- Infiel

A “sofrência” também a fez escrever sobre traição. Mas, diferentemente de outros autores, Marília abordava o tema de um lugar irreverente e que não colocava a mulher numa posição passiva diante da situação vivida.

O seu prêmio que não vale nada, estou te entregando
Pus as malas lá fora e ele ainda saiu chorando
Essa competição por amor só serviu pra me machucar
Tá na sua mão, você agora vai cuidar
De um traidor, me faça esse favor

Iê, infiel
Eu quero ver você morar num motel
Estou te expulsando do meu coração
Assuma as consequências dessa traição

3- Supera

A sororidade, relação de apoio entre mulheres, também foi tema das letras da cantora, que escreveu muito sobre as relações entre mulheres.

Para de insistir, chega de se iludir
O que ‘cê ‘tá passando, eu já passei e eu sobrevivi
Se ele não te quer, supera
Se ele não te quer, supera

Ele ‘tá fazendo de tapete o seu coração
Promete pra mim que dessa vez você vai falar não
De mulher pra mulher, supera
De mulher pra mulher, supera

4- Todo Mundo Vai Sofrer

Marília Mendonça brincou com as palavras, escreveu letras divertidas que fizeram o público se conectar como poucos.

A garrafa precisa do copo
O copo precisa da mesa
A mesa precisa de mim
E eu preciso da cerveja

Igual eu preciso dele
Na minha vida
Mas quanto mais eu vou atrás
Mais ele pisa

Então já que é assim
Se por ele eu sofro sem pausa
Quem quiser me amar
Também vai sofrer nessa bagaça

Quem eu quero, não me quer
Quem me quer, não vou querer
Ninguém vai sofrer sozinho
Todo mundo vai sofrer

5- Eu Sei de Cor

A cantora foi uma das mais importantes artistas contemporâneas porque trouxe para o sertanejo a discussão sobre a força das mulheres.

Deixa, deixa mesmo de ser importante
Vai deixando a gente pra outra hora
Vai tentar abrir a porta desse amor
Quando eu tiver jogado a chave fora

Deixa, deixa mesmo de ser importante
Vai deixando a gente pra outra hora
E quando se der conta já passou
Quando olhar pra trás já fui embora

6- Graveto

Uma das razões para a aproximação genuína do público com sua figura era a percepção de que, em suas letras, Marília falava como “gente como a gente”, que vive situações semelhantes às de todos nós.

Não adianta pôr graveto
Numa fogueira que não pega mais
Não pega mais, não pega mais

Você virou saudade aqui dentro de casa
Se eu te chamo pro colchão, você foge pra sala
E nem se importa mais saber o que eu sinto
Poucos metros quadrados, virou labirinto

7- Se Ame Mais

Num cenário em que as mulheres são usualmente retratadas como rivais, Marília Mendonça inovou o sertanejo ao se focar em situações nas quais as mulheres se apoiam e se entendem, ao invés de competirem entre si.

Eu queria dizer pra ela
Que ela é nova e inteligente
Tem tudo pela frente
Merece ser feliz como a gente
Mas ela tá fazendo diferente

Superar não é tão fácil
Mas se torna necessário
E por questão de honra
Se eu fosse você deixava isso enterrado
Você tem que seguir em frente (supera!)

8- Tentativas

A descrição, em suas letras, de dificuldades cotidianas das relações conjugais, foi um dos elementos que fez com que tantas pessoas se vissem espelhadas nas músicas da cantora.

Falta paciência e sobra personalidade
Quando um vai falar, o outro não sabe escutar
Nessa hora, o sangue ferve, e o controle a gente perde
Um joga a culpa no outro e terminamos de novo

Não tem amor que aguenta isso, não tem
A gente tá fazendo mais mal do que bem
Acho que eu não dou certo com ninguém
Desse problema, cê sofre também

9- Música do Léo

Depois de se tornar mãe, Marília Mendonça escreveu também sobre a experiência da maternidade, em música que leva o nome de seu filho, que fará, em breve, 2 anos.

Não imaginava ter você tão cedo
Isso antes de sentir seu coração bater
Hoje o pensamento não é mais o mesmo
Como vivi todo esse tempo sem você

Conto os segundos pra ver o seu rosto
Conto os segundos pra te segurar
A felicidade que eu buscava tanto
Descobri quando eu te senti chutar

10- Troca de Calçada

Marília Mendonça não se furtou de abordar temáticas sociais em suas letras, assim como fez posicionamentos políticos públicos. Em “Troca de Calçada”, por exemplo, ela narra a história de uma personagem prostituta.

Se alguém passar por ela
Fique em silêncio, não aponte o dedo
Não julgue tão cedo
Ela tem motivos pra estar desse jeito
Isso é preconceito

Viveu tanto desprezo
Que até Deus duvida e chora lá de cima
Era só uma menina
Que dedicou a vida a amores de quinta

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