E se nossas frustrações pessoais estivessem expostas em um museu? Vestidos de noiva nunca usados, plantas mortas, cartas de rejeição, pinturas amadoras e objetos aparentemente banais contam histórias de términos, frustrações e expectativas desfeitas. Essa foi a ideia de Eyvan Collins, 34 anos, idealizadora do Museum of Personal Failure.
O projeto nasceu de uma vivência íntima. Após enfrentar dois relacionamentos que terminaram de forma dolorosa, Collins decidiu transformar a própria frustração em proposta artística. Ele passou a pedir, por meio de cartazes e redes sociais, que moradores enviassem objetos que simbolizassem “fracassos” marcantes em suas trajetórias.
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O resultado é uma coleção heterogênea e profundamente humana. Cada item exposto vem acompanhado de um relato que contextualiza o objeto e revela a vulnerabilidade de seu dono. Uma planta de aloé que não resistiu aos cuidados excessivos; um vestido de casamento guardado após a separação tornou-se símbolo de expectativas interrompidas; uma série de cartas de rejeição profissional.
A exposição durou de 24 de janeiro a 4 de fevereiro, com entrada gratuita. Neste museu, o sentimento de fracassar não é individual, é coletivo. Na contramão da cultura do sucesso, o museu demonstra que o fracasso não é vergonhoso, pelo contrário, é uma experiência humana e que pode ser compartilhada. Talvez seja até possível questionar o que é o fracasso em nossos tempos. É uma sala cheia de coisas que as pessoas tentaram e às quais dedicaram muito tempo e cuidado”, afirma Collins. “É muito humano.”
Imagem de capa: Rheanna Toy/Cloudstreet Media Inc.