Os filmes para finalizar 2025 trouxeram excelentes surpresas ao cinema. Esse é o caso de Anaconda, filme estrelado por Selton Mello e o queridíssimo Jack Black.
O filme não se propõe a fazer um remake de Anaconda, de 1997, mas utiliza esse como conexão entre os personagens que enfrentam a crise da meia-idade, com sonhos pendentes. Essa versão de Anaconda, apesar de cenas dinâmicas e com um pouco de ação, está muito mais voltada para uma comédia, onde constrói a narrativa com um tema mais profundo. Ele nos envolve ao nos identificarmos nessa busca em reviver nossos sonhos, o que nos dá sentido para vida.
Apesar de nenhum dos roteiristas ser brasileiro, o filme tem o cuidado de evitar estereótipos sobre o país. Além disso, para enriquecer a dinâmica entre os personagens, introduz de maneira pertinente — ainda que rápida — a problemática dos garimpos ilegais, levando-a a um público global.
Se o filme possui uma narrativa que talvez não pareça nada original, o elenco contribui para ser um dos trabalhos mais divertidos dos últimos anos. O filme conta com estrelas além de Mello e Black, como Paul Rudd(Homem-Formiga), Thandiwe Newton(Westworld), Steve Zahn(Planeta dos Macacos: A Guerra) e do Brasil temos Rui Ricardo Diaz(Impuros), que foi uma grande surpresa e que funciona muito bem. O elenco selecionado por Rachel Tenner que também é responsável por Ruptura, tem uma química e um engajamento de um grande grupo de amigos como proposto pelo roteiro, e encontram nas metáforas e dinâmica do roteiro seus melhores tipos. Jack Black, que possui um dos melhores tempos de comédia no cinema, tem um trabalho cheio de nuances ao encabeçar um dos personagens que hesita em buscar seus sonhos, em troca de sua estabilidade. Já o tempero brasileiro adicionado por Selton Mello ao filme, cria cenas com diálogos absurdos e cômicos que nos envolve totalmente com o filme, fazendo com que a gente espere ansiosamente mais cenas com Mello.
Seria impossível não destacar a eletrizante trilha sonora de Anaconda que conta com músicas como Have You Ever Seen the Rain do Creedence Clearwater Revival, Baby Got Back de Sir Mix-A-Lot, Gente Aberta de Erasmo Carlos entre outras. Vale também um destaque a Nigel Bluck, diretor de fotografia, que busca uma iluminação quente e ensolarada ao grupo de amigos ao chegar ao Brasil, sua escolha busca dar um ar acolhedor ao grupo.
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Anaconda foi, de fato, uma das melhores surpresas do cinema para finalizar 2025. O filme consegue a proeza de resgatar a premissa de um clássico dos anos 90 não para replicar seu susto, mas para extrair dele uma comédia humana e astuta. Ao trocar o terror pela crise da meia-idade, a produção entrega muito mais do que se espera: é um trabalho com coração, ritmo e inteligência, onde um elenco afinadíssimo, uma direção técnica precisa e um olhar respeitoso sobre seu cenário se unem para falar, no fundo, sobre a coragem de perseguir aquilo que nos faz sentir vivos. Uma aventura que, no fim das contas, prende o espectador não pela ameaça de uma serpente gigante, mas pelo fascínio de ver sonhos sendo redescobertos.