[ENTREVISTA] André Bushatsky sobre ‘Pigalle’: “uma história bem contada pode reverberar pelo globo”

Cineasta e roteirista de filmes, o mais recente dele Domingo à Noite (com Marieta Severo), André Bushatsky volta à literatura com PIGALLE, que tem lançamento dia 20 de junho, às 19h, na Livraria da Travessa do Shopping Iguatemi, em São Paulo. Pigalle é uma região boêmia de Paris que atrai turistas do mundo todo em busca de diversão. Foi nessa mesma região que Bushatsky se instalou durante o isolamento da pandemia. Durante essa viagem, tomou notas, mesmo no confinamento.

O livro, que é lançado pelo selo Faria e Silva, do grupo editoral Alta Books, traz mais do que um diário de viagem. É uma coleção de textos que desafiam gêneros literários, combinando elementos da crônica, dos contos, da memória. Tudo pode ter sido verdade – ou não. Ao leitor, cabe mergulhar nessa prosa poética e bem humorada que registra de forma colorida o cotidiano parisiense pelo prisma pessoal. Há também capítulos curtos, chamados de Pigalleando, que são pequenas anedotas sobre o bairro, sobre a vida na cidade.

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O Jornal Nota fez algumas perguntas ao André Bushatsky sobre o livro, confira:

O que o leitor encontrará nesse passeio por Pigalle?

André – Encontrará muitas surpresas. É um livro que fala de amor, esperança, pandemia, extremismo. Tem também muito humor, memórias e nossa relação com as pessoas, que deveria ser cada vez mais de respeito, entendimento e igualdade.

Como a pandemia afetou sua perspectiva artística, tanto na escrita quanto na direção de filmes, e de que forma essas mudanças refletem no seu trabalho atual?

André – A pandemia me ajudou ainda mais a ver como nosso mundo é frágil e global. Nada está longe e isso significa que uma história bem contada pode reverberar pelo globo. É bom ter isso em mente na hora de escrever ou dirigir filmes.

Qual autor você adoraria tomar um café em Paris?

André – Boa pergunta, são tantos! Gostaria de tomar café com vários artistas: Truffaut, Agnés Varda, Apollinaire, Melville, Fitzgerald, Hemingway, Éric Vuillard e a lista vai longe. Espero que seja um café bem demorado…

Como o imaginário coletivo e as suas próprias experiências durante a pandemia influenciaram a construção do ambiente e dos personagens?

André – Tudo soma. Ao ler as notícias do mundo durante a pandemia, ao assistir series e filmes e, claro: andando bastante pelo quartier de Pigalle fui criando as narrativas do livro. Tudo virava uma ideia, uma história, inclusive algumas crônicas e contos não entraram no livro, tive que fazer uma seleção junto com o editor.

De que maneira a sua experiência como cineasta ajudou a moldar o estilo da narrativa e a construção de cenas em seu livro?

André – Transformar texto em imagem faz parte do dia a dia do cineasta. Mas antes tem que ter um bom roteiro, bem escrito. E é aí que as duas coisas se juntam para mim. Eu ia escrevendo e imaginando, imaginando e escrevendo. É um caldeirão de conteúdo que eu ia mexendo para construir a minha “Pigalle”.

Sinopse

O livro de André Bushatsky é como um buffet: tem de tudo um pouco.
Contos? Tem.
Frases lapidares? Tem.
Memórias? Tem. Falsas e verdadeiras.
Observações sobre livros e filmes? Claro que tem.
Poesia? E não é que tem?
Alguma carta? Tem.
Narrativas de viagem? Tem também.
E textos sobre comida? Sim, tem. E saborosos.
Os pratos servidos neste livro são muito diferentes, mas o vinho do estilo harmoniza a refeição. Bom apetite.

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