“Friday Black”: Nana Kwame Adjei-Brenyah retrata a violência numa caricatura da sociedade moderna

Seria possível encontrar, no futuro próximo, um mundo mais justo e menos selvagem? Reescrever a história, repensar a humanidade sem vícios mortais como o racismo, o consumismo exacerbado, as armas e a crueldade latente? Friday Black, livro de estreia de Nana Kwame Adjei-Brenyah, nos mostra que não.

Nesta elogiada coletânea de doze contos definida pelo The Wall Street Journal como “impressionante”, tudo parece absurdo à primeira vista. Mas, em seguida, o enredo assume paralelos com a realidade e transporta os leitores de volta a acontecimentos recentes veiculados à exaustão nos noticiários.

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No conto “Os cinco de Finkelstein”, o assassinato de cinco crianças negras na porta de uma biblioteca, seguido do julgamento do perpetrador racista, relembra a história de Trayvon Martin e de outros tantos jovens negros; o atentado em uma escola que coloca dois adolescentes — vítima e algoz — numa discussão post mortem no purgatório é o mote de “Cuspindo luz”; a corrida mortífera de humanos-zumbis pelo consumo na Black Friday, numa elegia ao capitalismo sanguinário e às suas injustas relações de trabalho, se repete nos aterrorizantes “Friday Black”, “Como vender uma jaqueta, segundo o Rei do Gelo” e “No varejo”.

Uma nova e necessária voz americana… Em Friday Black, o futuro distópico que a Adjei-Brenyah retrata — como toda a grande ficção do gênero — é sombriamente futurista apenas na sua superfície. Nas profundezas, cada história para o agora.” — New York Times Book Review

Neste livro, a violência e o grotesco atingem seu nível máximo, sem cortes, como numa caricatura da sociedade moderna. O futuro — uma alegoria do tempo presente — é apresentado em visão panóptica, pela qual quem lê se reconhece como voyeur de algo que gostaria de participar. Em Friday Black, é por meio da barbárie que o ser humano sacia os seus desejos mais irascíveis.

Adjei-Brenyah, grande promessa da literatura norte-americana contemporânea, é um radical do absurdo. Com humor mordaz, coloca os leitores em uma situação constrangedora, numa mixórdia de sentimentos que só os grandes escritores conseguem produzir. Não existe alívio. Segundo o próprio autor, “nada é mais chato do que um final feliz”, frase que talvez resuma esta obra, reflexo do século 21.

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Sobre o autor

Nana Kwame Adjei-Brenyah nasceu em Spring Valley, Nova York, EUA. Formado na Universidade de Nova York e mestre na Universidade de Syracuse. Já publicou em veículos como New York Times Book ReviewEsquire e Paris Review. Selecionado por Colson Whitehead como um dos laureados da National Book Foundation “5 abaixo dos 35”, venceu também o prêmio PEN/Jean Stein Book.

Ficha Técnica

TítuloFriday Black

Autor: Nana Kwame Adjei-Brenyah

Capa: Danilo de Paulo |Mercurio.Studio

Formato: 13,5 x 20 cm

Número de páginas: 224 pp

Preço: R$ 69,90

ISBN: 978-65-84568-32-7

Preço e-book: R$ 44,90

ISBN e-book: 978-65-84568-09-9

Lançamento: 24/01/2023

Editora: Fósforo

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