O Brasil dos excluídos: dicionário reúne vidas de brasileiros apagados pela história oficial

A Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB) é um projeto que iniciou no ano de 2009, no âmbito do Museu Exploratório de Ciências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e que prossegue sendo elaborado por docentes e pós-graduandos do Departamento de História da mesma universidade. Ao longo desses quase 12 anos, a ONHB já teve cerca de 450 mil participantes, orientados pelos professores de história de suas escolas, públicas ou privadas.

Desde 1500
Tem mais invasão do que descobrimento
Tem sangue retinto pisado
Atrás do herói emoldurado
Mulheres, tamoios, mulatos
Eu quero um país que não está no retrato

Histórias para ninar gente grande, samba-enredo da Mangueira (2019)

Em 2019, a escola de samba Estação Primeira de Mangueira foi vencedora do desfile de carnaval do Rio de Janeiro com a seguinte proposta: qual é o Brasil que não está no retrato? Quem são as pessoas que fizeram história e, ainda assim, foram excluídas do discurso oficial?

De muitas maneiras, podemos dizer que a História é escrita pelos vencedores. Historiadores e demais pesquisadores reiteram que a nossa memória coletiva sempre responde a uma estrutura de poder, que subalterniza alguns grupos sociais e seus valores em detrimento de outros. Mas foi a partir dessa provocação da Mangueira que a Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB) lançou um desafio a 6.753 estudantes brasileiros: tornar visíveis e conhecidos as pessoas que não estão “no retrato” do país.

Alzira Soriano foi a primeira mulher a ser eleita prefeita de um município na América Latina, na cidade Jardim de Angicos – RN

Organizada pela Unicamp, a ONHB teve sua quinta fase em 2019 realizada entre os dias 3 e 8 de junho. Mas os resultados renderam um fruto que agora está disponível online e que pode ser lido de forma gratuita: o Dicionário Biográfico dos Excluídos da História.

Cada grupo participante foi formado por três estudantes sob a orientação de um professor. “Pedimos que apresentassem o personagem, fizessem uma biografia e dissessem por que essa pessoa deveria estar nos livros didáticos e por que eles não estavam”, afirmou Cristina Meneguello, coordenadora da Olimpíada e do Departamento de História da Unicamp.

Mercedes Batista foi a primeira bailarina negra do Theatro Municipal do RJ e uma pioneira na dança afro-brasileira no país

Foi assim que esses milhares de estudantes e professores construíram juntos o Dicionário Biográfico dos Excluídos da História, onde é possível encontrar informações sobre 2.251 figuras que dificilmente encontram visibilidade nos livros didáticos. Como alguns personagens foram lembrados por mais de um grupo, há verbetes repetidos no dicionário que trazem abordagens diferentes sobre a mesma pessoa.

Arariboia foi um chefe da tribo dos temiminós que fundou a cidade de Niterói

“Superou nossa expectativa. Nós observamos que esses personagens desconhecidos são personagens negros, são mulheres importantes para a história do Brasil, são mulheres negras, são líderes locais. Muitos fizeram o verbete de pessoas que estão vivas. São líderes indígenas, pessoas perseguidas na ditadura militar, professores que foram censurados na ditadura militar. Temos de personagens do Brasil colônia até pessoas que estão vivas nesses verbetes”, explica Cristina Meneguello.

Para ter acesso ao dicionário de excluídos da história acesse aqui

Fonte: Agência Brasil

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